Ministério Público aponta irregularidades e pede anulação da posse e devolução de salários pagos indevidamente
Ministério Público revela que conselheira do TCE da Paraíba recebeu salários sem trabalhar por mais de 11 anos.
O caso da conselheira do TCE da Paraíba denunciada como funcionária fantasma
A conselheira do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), Alanna Galdino, foi apontada pelo Ministério Público do Estado da Paraíba (MP-PB) como funcionária fantasma por mais de 11 anos. Segundo relatório divulgado em 5 de abril de 2026, ela teria recebido salários por 11 anos e 2 meses sem exercer qualquer atividade presencial na Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag).
O promotor Ricardo Alex Almeida Lins destaca que Alanna, filha do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, acumulou ilegalmente cerca de R$ 646,9 mil durante o período em que deveria estar trabalhando presencialmente na capital João Pessoa. No entanto, ela cursava medicina em tempo integral em Campina Grande, distante uma hora e meia da capital paraibana.
Auditoria e evidências apontam ausência completa de atividade profissional
Durante a auditoria realizada pelo próprio TCE-PB, superiores hierárquicos de Alanna afirmaram não ter mantido qualquer contato profissional com ela. Além disso, outras funcionárias da secretaria, como copeira e recepcionista, nunca a viram nas dependências do órgão.
O gerente de Tecnologia da Informação da Seplag também confirmou que não existe registro de usuário nos sistemas internos para Alanna, evidenciando a falta de atividade administrativa ou digital durante todo o período investigado.
Repercussões jurídicas e questionamentos sobre nomeação para o Tribunal de Contas
O parecer do promotor Ricardo Lins foi apresentado em uma ação popular que questiona a nomeação de Alanna Galdino como conselheira do TCE. Ele argumenta que a percepção reiterada de remuneração pública sem contraprestação funcional é incompatível com a idoneidade moral exigida para o cargo.
Além de solicitar a anulação da posse, o Ministério Público pede que Alanna devolva os salários recebidos ilegalmente. O promotor qualificou a nomeação como uma violação clara e grave dos princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade.
Impactos políticos e administrativos na Paraíba
A situação traz à tona questões sobre o controle e fiscalização dos recursos públicos estaduais, assim como sobre os critérios para nomeação em órgãos de controle como o Tribunal de Contas. A relação familiar entre a conselheira e o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba também levanta dúvidas sobre possíveis conluios políticos.
Esse episódio pode influenciar a confiança da população nas instituições públicas e demandar reformas para evitar casos semelhantes no futuro.
Próximos passos e acompanhamento do caso
Até o momento da publicação, Alanna Galdino não se manifestou sobre as acusações feitas pelo Ministério Público. O desenrolar do processo judicial poderá redefinir sua situação no Tribunal de Contas e determinar possíveis sanções.
O caso segue em investigação e deverá ter desdobramentos importantes para o cenário político e administrativo da Paraíba.
Fonte: metropoles.com





