Consignado impulsiona expansão do Banco Master sob fiscalização do BC

Carteira de crédito consignado foi o principal motor do Banco Master, que ampliou contratos com servidores públicos apesar de alertas do Banco Central

Consignado impulsiona expansão do Banco Master sob fiscalização do BC
Sede do Banco Master em São Paulo com destaque para sua atuação no crédito consignado. Foto: Michael Melo/Metrópoles

O Banco Master expandiu sua carteira de crédito consignado para servidores públicos, apesar dos alertas do Banco Central sobre riscos financeiros.

O crescimento do crédito consignado no Banco Master e sua influência até 2025

O crédito consignado foi o principal motor do Banco Master no mercado de varejo, conforme informações enviadas pela instituição ao Banco Central em março de 2025. Sob o comando de Daniel Vorcaro desde 2019, o banco expandiu fortemente sua carteira, saltando de R$ 754,6 milhões em 2021 para R$ 2,2 bilhões em 2022. Essa modalidade representava 12,4% dos ativos totais do banco naquele ano, indicando a centralidade do consignado em sua estratégia de crescimento.

Expansão das parcerias com órgãos públicos e servidores estaduais

Em março de 2025, o Banco Master mantinha acordos para ofertar crédito consignado a servidores de 105 órgãos públicos, incluindo prefeituras, governos estaduais e entidades de aposentados em todo o país. Destacavam-se contratos em oito estados, como Alagoas, Paraíba, Amapá, Tocantins, Bahia, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. São Paulo liderava com 28 municípios, incluindo a capital. Além disso, o banco mantinha contratos com instituições militares, tribunais de justiça e previdências estaduais, ampliando sua base de clientes no setor público.

Análise dos alertas do Banco Central sobre riscos financeiros

Apesar do avanço expressivo do crédito consignado, o Banco Central identificou fragilidades na rentabilidade do Banco Master. Relatórios de supervisão indicavam custos elevados para sustentar o crescimento da carteira, incluindo gastos expressivos com consultorias e comissões para aquisição de clientes. Em 2022, as operações de consignado registraram prejuízo de R$ 25,6 milhões, mitigado pela venda de carteiras para outras instituições. Essas fragilidades financeiras, somadas à inadimplência e falhas na gestão de risco de crédito, levaram a exigências regulatórias e à exigência de um plano de contingência.

Impactos da crise do Banco Master na negociação e liquidação

Ao longo de 2024 e 2025, o Banco Master enfrentou uma crise agravada pela incapacidade de cumprir seu plano de negócios, que previa captar R$ 15 bilhões, mas resultou em apenas R$ 2 bilhões. Tentativas de venda ao Banco de Brasília (BRB) foram barradas pelo Banco Central, e o banco passou a descumprir exigências regulatórias como o recolhimento compulsório. O controlador, Daniel Vorcaro, buscou apoio do Fundo Garantidor de Créditos e vendeu ativos pessoais para reforçar o caixa. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

Perspectivas e lições sobre o mercado de crédito consignado no Brasil

A trajetória do Banco Master evidencia os riscos de crescimento acelerado baseado em crédito consignado, principalmente em segmentos públicos e previdenciários. A dependência dessa carteira, aliada a custos elevados e falhas de gestão, pode comprometer a estabilidade financeira das instituições. A atuação regulatória do Banco Central visa mitigar esses riscos, porém o caso reforça a necessidade de práticas sustentáveis e gestão rigorosa para garantir a solidez do sistema financeiro e a proteção dos consumidores.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Michael Melo/Metrópoles