Copom sinaliza comunicado mais rigoroso diante dos riscos de inflação e alta do petróleo

XP prevê tom mais firme no comunicado do Copom em resposta à pressão inflacionária e ao aumento do Brent

Copom sinaliza comunicado mais rigoroso diante dos riscos de inflação e alta do petróleo
Reunião do Copom para decisão sobre a taxa Selic. Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central

XP projeta comunicado do Copom mais firme diante do aumento do risco inflacionário e da alta do petróleo Brent.

Contexto do comunicado do Copom diante dos riscos inflacionários em abril de 2026

O comunicado do Copom que será divulgado em 29 de abril de 2026 deve apresentar um tom mais duro, conforme a análise da XP, devido aos crescentes riscos de inflação causados principalmente pela alta persistente do preço do petróleo Brent e indicadores econômicos internos. O economista-chefe Caio Megale destaca que essa postura reflete a necessidade de cautela diante das pressões externas e da retomada da atividade econômica nacional.

A XP aponta que, apesar do consenso em torno de um corte moderado de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, a autoridade monetária pode sinalizar a possibilidade de manutenção do ritmo de cortes ou até mesmo uma pausa antecipada no ciclo, em função dos riscos inflacionários assimétricos para cima. Essa mudança representa uma adaptabilidade na condução da política monetária diante de um cenário mais complexo.

Influência do aumento do petróleo Brent sobre a inflação e as decisões do Copom

Desde a última reunião do Copom, o fluxo de informações revela um agravamento das perspectivas inflacionárias, com destaque para o aumento dos preços do petróleo Brent, que seguem acima de US$ 100 por barril. Este comportamento do mercado internacional tem impacto direto na inflação de curto prazo e reforça a pressão sobre o custo de energia no Brasil, influenciando a avaliação do Banco Central.

Os esforços diplomáticos para reduzir tensões no Oriente Médio, como o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, ainda não foram suficientes para aliviar a volatilidade dos preços da commodity. Tal cenário exige maior vigilância da autoridade monetária para ajustar sua comunicação e estratégias de política monetária.

Situação interna do Brasil: inflação, atividade econômica e estímulos fiscais

No mercado doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e seus núcleos registraram alta, com o núcleo passando de 3,3% em janeiro para 4,7% em março de 2026, segundo médias móveis anualizadas e dessazonalizadas. Além disso, a atividade econômica tem reagido positivamente, impulsionada por medidas de estímulo fiscal, levando a um crescimento estimado do Produto Interno Bruto (PIB) acima de 4% no primeiro trimestre.

Esse ambiente mostra que, apesar das pressões inflacionárias, a economia brasileira apresenta sinais de dinamismo, o que pode requerer ajustes na política monetária para equilibrar crescimento e controle dos preços.

Projeções da XP para a inflação e a política monetária até 2027

A equipe da XP revisou suas projeções para o IPCA de 2026, elevando a estimativa de 3,9% para 4,5%, refletindo as surpresas de inflação corrente. Para o quarto trimestre de 2027, a previsão foi ajustada de 3,3% para 3,4%, indicando um cenário de riscos inflacionários assimétricos para cima.

No que tange à taxa Selic, a XP mantém a perspectiva de que ela encerre 2026 em 13,50%, após o corte esperado de 0,25 ponto percentual nesta reunião. Prevê ainda duas reduções adicionais de 0,50 ponto percentual em junho e agosto, condicionadas à normalização das tensões geopolíticas e à queda dos preços do petróleo para a faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril.

Papel do câmbio e cenário futuro da política monetária brasileira

Apesar da alta volatilidade do petróleo, a valorização do real em cerca de 9% frente ao dólar neste ano tem funcionado como amortecedor para a inflação, reduzindo estimadamente 0,7 ponto percentual no IPCA de 2026. Essa força cambial é atribuída à melhora na balança comercial e no recolhimento fiscal, decorrentes do impacto positivo do aumento do petróleo sobre as exportações.

Contudo, a XP prevê que o Copom adotará uma postura de calibração cautelosa, com possível pausa no ciclo de flexibilização durante o período eleitoral de 2026, retomando-o apenas após maior clareza sobre a política fiscal a partir de 2027. Essa estratégia visa equilibrar o controle inflacionário com a manutenção do crescimento econômico.