Cpi do crime aprova aprofundamento das investigações sobre Banco Master

Comissão aprova pedidos para identificar beneficiários finais e ampliar quebras de sigilos em esquema bilionário

Cpi do crime aprova aprofundamento das investigações sobre Banco Master
Senadores durante sessão da CPI do Crime Organizado no Senado Federal. Foto: Agência Brasil

A CPI do Crime aprova novos requerimentos para investigar beneficiários do Banco Master e ampliar quebras de sigilo fiscal e bancário.

A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou, no dia 18 de março, uma série de requerimentos para aprofundar as investigações acerca do esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. O objetivo principal é identificar os beneficiários finais dos fundos ligados ao Master e à Reag Investimentos, que estão no centro da apuração da fraude bilionária. O senador Alessandro Vieira, relator da comissão, destacou a complexidade de rastrear o capital ilícito que circula em múltiplas camadas de fundos para mascarar sua origem.

Identificação dos beneficiários finais dos fundos Master

O relator apresentou requerimentos direcionados a órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central, Receita Federal e Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), solicitando informações detalhadas sobre os beneficiários finais dos fundos exclusivos e restritos administrados pelo Banco Master e pela Reag Investimentos. Segundo Alessandro Vieira, o desafio reside em desvendar as várias camadas usadas para ocultar os verdadeiros donos do dinheiro, dificultando a transparência e a fiscalização.

Aprovação de convocações e quebras de sigilo relacionadas ao esquema

A CPI aprovou a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, suspeita de ter recebido um imóvel avaliado em R$ 450 milhões, configurando possível ocultação de patrimônio. Também foi autorizada a convocação dos dirigentes e sócios da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, com a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da companhia, que teria sido utilizada para transportar aliados políticos em voos particulares. Além disso, o ex-governador do Mato Grosso, Pedro Taques, foi convocado para depor sobre fraudes no crédito consignado que afetaram servidores públicos estaduais.

Rejeição de pedidos para quebra de sigilos e convocações envolvendo figuras políticas

A maioria da CPI rejeitou por seis votos contra dois o pedido para quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, apontado por parlamentares governistas como possível facilitador da fraude por meio de desregulação do mercado financeiro. Também foi recusado, por seis votos contra quatro, o pedido para convocar o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, que tem ligações indiretas com doações milionárias ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Contexto político e disputas dentro da CPI do Crime

A CPI do Crime tem sido palco de disputas políticas, com a oposição reclamando da rejeição de pedidos envolvendo membros do governo anterior e aliados políticos. O senador Marco Rogério, da base governista, classificou esses pedidos como motivados por disputas político-eleitorais e fora do escopo da comissão. Por sua vez, o senador Rogério Carvalho, da oposição, ressaltou que o esquema do Banco Master se desenvolveu sob a fiscalização do Banco Central e do Ministério da Fazenda, evidenciando uma relação intrínseca entre o escândalo financeiro e as políticas econômicas adotadas nos últimos anos.

Impactos e próximos passos das investigações

Com a aprovação dos novos requerimentos, a CPI do Crime busca aumentar a transparência sobre o circuito financeiro usado para lavar dinheiro e ocultar patrimônio. A comissão pretende aprofundar as investigações para identificar os responsáveis e coibir o uso do sistema financeiro para a prática de crimes. A decisão do Supremo Tribunal Federal que permitiu o comparecimento opcional do ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, afastado por suspeitas de ligação com Vorcaro, afetou o andamento da sessão, já que ele não compareceu para depor.

A continuidade da CPI dependerá da análise e da colaboração dos órgãos fiscalizadores e da resposta aos requerimentos aprovados, que visam desmantelar a complexa rede financeira por trás do Banco Master e seus desdobramentos políticos e econômicos.