Em sessão da CPMI do INSS, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, lançou fortes acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), responsabilizando-o pelas fraudes bilionárias investigadas na autarquia. Segundo o senador, a comissão só se tornou necessária devido ao veto da gestão anterior à revalidação periódica dos dados dos beneficiários. A declaração acendeu o debate político e reacendeu tensões entre governo e oposição.
O cerne da acusação de Randolfe reside em uma Medida Provisória de 2019 que previa a checagem bienal dos descontos de aposentados e pensionistas. O parlamentar lamentou o fato de o dispositivo ter sido sucessivamente adiado e, por fim, revogado, impedindo a detecção precoce das irregularidades. A fala de Randolfe aconteceu durante o depoimento da defensora pública Patrícia Bettin.
“Se não tivesse sido vetada, se tivesse sido sancionada ou se pelo menos em 2019 tivesse sido tomada a medida que o governo Lula tomou, nós não estaríamos nesta CPI constatando o roubo de milhares de aposentados e pensionistas”, enfatizou Randolfe, direcionando suas críticas à gestão anterior.
A declaração do senador não passou incólume, provocando imediata reação da oposição. Parlamentares contrários ao governo argumentaram que o próprio Planalto inicialmente resistiu à criação da CPMI, e que sua instalação só foi possível graças à articulação de forças opositoras no Congresso. O embate político demonstra o acirramento da disputa em torno da responsabilidade pelas fraudes no INSS.