Crédito caro e dólar baixo pressionam safra de arroz no Rio Grande do Sul

Setor enfrenta restrições financeiras e custos elevados, afetando área plantada e perspectivas para a próxima temporada

Crédito caro e dólar baixo pressionam safra de arroz no Rio Grande do Sul
Lavoura de arroz no Rio Grande do Sul. Foto: Embrapa — Foto: Lavoura de arroz no Rio Grande do Sul  • Embrapa

Crédito caro e dólar baixo podem reduzir a área plantada e impactar a próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul, segundo agricultores.

Fatores econômicos que influenciam a safra de arroz no Rio Grande do Sul

A próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul chega sob o impacto direto do crédito caro e dólar baixo, condições que complicam o planejamento dos produtores para o ciclo 2026. Denis Dias Nunes, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), destaca que o cenário atual impõe restrições ao acesso ao financiamento, com juros elevados e um mercado cambial que não favorece a rentabilidade da produção.

Dificuldades no financiamento agrícola e impacto na área plantada

O crédito caro, aliado à queda do dólar, tem levado muitos agricultores a considerarem manter ou mesmo reduzir a área plantada. O endividamento crescente e os preços baixos do arroz pressionam as decisões dos produtores, que enfrentam custos elevados para insumos e tecnologia. Segundo Nunes, embora tenha havido uma recuperação recente nos preços, a cautela predomina, e a retenção da produção é uma estratégia adotada por muitos na expectativa de melhores cotações.

Lentidão da colheita atual e efeito na comercialização do arroz

A colheita da safra vigente ocorre em ritmo lento, o que influencia diretamente a dinâmica da comercialização. No início da temporada, o forte volume de exportações gerou recursos importantes, diminuindo a necessidade de venda imediata do arroz recém-colhido. Além disso, a proximidade da colheita da soja faz com que muitos produtores priorizem a geração de caixa com este grão, adiando a venda do arroz até que os preços se tornem mais atrativos.

Custos elevados dos fertilizantes e ameaças à tecnologia agrícola

O aumento dos preços dos fertilizantes, que permanecem em patamares altos devido a conflitos internacionais entre Estados Unidos e Irã, bem como a valorização dos preços do petróleo e combustíveis, agrava a situação. Esse cenário eleva o custo de produção e limita o uso de tecnologias avançadas nas lavouras, o que pode comprometer a produtividade e a qualidade das futuras safras.

Consequências da valorização do dólar para as exportações e rentabilidade

Embora a queda do dólar possa aliviar parcialmente os custos de importação de insumos, ela também reduz a competitividade das exportações brasileiras de arroz e soja no mercado internacional. Isso pressiona a rentabilidade dos produtores, que já enfrentam margens estreitas e incertezas significativas.

Panorama da produção segundo levantamento da Conab

De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) referente à safra 2025/26, a produção de arroz no Rio Grande do Sul foi de 11,1 milhões de toneladas, representando uma queda de 13% em relação à safra anterior. A redução na área de cultivo, que ficou em 1,53 milhão de hectares, também foi de 13%, refletindo o contexto desafiador enfrentado pelo setor.

A importância do monitoramento do mercado para o futuro da safra

Diante deste quadro marcado por juros altos, dólar desvalorizado e custos elevados, o setor arrozeiro se mantém em alerta. A cautela e o acompanhamento próximo das condições de mercado são essenciais para minimizar os impactos e ajustar as estratégias produtivas. A próxima safra permanece como uma incógnita, exigindo atenção constante e políticas públicas que possam fomentar o desenvolvimento sustentável do arroz no Rio Grande do Sul.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Lavoura de arroz no Rio Grande do Sul  • Embrapa