Impactos de eventos extremos dificultam acesso a serviços e agravam saúde de pessoas com o vírus
A crise climática dificulta o tratamento do HIV ao afetar o acesso a serviços e aumentar comportamentos de risco em várias regiões do mundo.
Como a crise climática influencia o tratamento do HIV no contexto global
A crise climática tratamento HIV tem se mostrado um desafio crescente em várias regiões do mundo, afetando diretamente a prevenção e o manejo da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. Eventos extremos, como secas prolongadas e enchentes, têm dificultado o acesso da população a serviços de saúde essenciais. A infectologista Fernanda Pedrosa Torres, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, destaca que a destruição causada por esses fenômenos gera obstáculos para diagnósticos e tratamentos adequados.
Impactos das secas e enchentes na prevenção e adesão ao tratamento
Estudos recentes, incluindo uma revisão de 22 pesquisas realizadas entre 2022 e 2024, identificam que a seca prolongada agrava comportamentos de risco, como sexo transacional e relações não protegidas. Além disso, a escassez de água inviabiliza a correta administração do tratamento antirretroviral (TARV), prejudicando a imunidade dos pacientes. Por outro lado, enchentes e chuvas intensas dificultam o deslocamento até unidades de saúde, resultando em suspensões temporárias ou mesmo abandono do tratamento.
Consequências estruturais e financeiras da crise climática para o cuidado ao HIV
Além dos efeitos individuais, a crise climática gera danos estruturais, como prejuízos às unidades de saúde, falta de transporte e interrupção nas cadeias de distribuição de medicamentos. Um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids) alerta para o agravamento da situação em decorrência da suspensão do financiamento do PEPFAR, programa que contribui com 75% dos recursos globais para o combate à epidemia. Países dependentes desse apoio enfrentam fechamento de clínicas e redução de equipes, o que compromete a continuidade do cuidado.
Exemplos recentes no Brasil e em outras regiões afetadas
No Brasil, pesquisas vinculam o aumento das notificações de HIV a eventos climáticos adversos, como a seca no Nordeste e as enchentes no Rio Grande do Sul. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostrou que as chuvas de 2024 em Porto Alegre afetaram o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), com muitos pacientes suspendendo o tratamento devido à dificuldade de acesso. Essas situações refletem a vulnerabilidade ampliada da população em cenários de emergência climática.
Estratégias e inovações para enfrentar os desafios impostos pela crise climática
Diante desses desafios, especialistas recomendam a incorporação do fator climático nas estratégias de saúde voltadas ao HIV. Medidas como telemedicina, clínicas móveis e descentralização dos pontos de dispensação de medicamentos podem reduzir a necessidade de deslocamento. Novos medicamentos de administração bimestral ou semestral, como o cabotegravir e o lenacapavir, prometem melhorar a adesão e a prevenção mesmo em situações adversas. A implementação dessas soluções, acompanhada de políticas públicas eficazes, é essencial para mitigar os impactos da crise climática no tratamento do HIV.





