Presidente do Einstein destaca ações sustentáveis e urgência de políticas integradas para enfrentar efeitos no setor de saúde

Sidney Klajner alerta que a crise climática já afeta a saúde, exigindo ações urgentes para adaptação e redução de emissões no setor hospitalar.
A crise climática impacta serviços de saúde e exige ação urgente
A crise climática impacta serviços de saúde de forma crescente, alertou Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Einstein, em São Paulo. O executivo enfatiza que hospitais são grandes emissores de gases de efeito estufa e que o setor de saúde deve ser prioridade nas políticas ambientais. Klajner participou do fórum South by Southwest (SXSW), em Austin, EUA, discutindo a interseção entre clima, saúde e tecnologia.
Estratégias do Einstein para reduzir impacto ambiental no setor hospitalar
O Hospital Israelita Einstein mantém um plano diretor de sustentabilidade desde 2011, atualizado regularmente para mitigar impactos ambientais. A organização publica inventário de emissões com verificação externa desde 2010, permitindo identificar oportunidades para reduzir gases poluentes. Em 2021, aderiu ao compromisso global Net Zero e à campanha Race to Zero, visando reduzir emissões em pelo menos 50% até 2030 e alcançar carbono neutro até 2050, com previsão de atingir a meta de 50% já em 2028.
Transição para energia renovável como pilar da sustentabilidade hospitalar
Desde 2025, o Einstein opera com 100% de energia proveniente de fontes renováveis, eliminando as emissões associadas ao consumo elétrico. Essa mudança reforça a integração entre descarbonização, eficiência operacional e gestão responsável de recursos. Klajner ressalta que a adoção dessa estratégia depende do engajamento da liderança e cultura organizacional, além de investimentos em inovação e colaboração com outras instituições e o poder público.
Impactos visíveis da crise climática no atendimento hospitalar
Os efeitos da crise climática já se refletem na saúde pública, com aumento de atendimentos devido a ondas de calor, poluição do ar, seca prolongada e queimadas. Dados do Ministério da Saúde indicam alta significativa na procura por atendimento associada à exposição à fumaça, com estados registrando aumento de até 191% em sintomas respiratórios. Adicionalmente, eventos extremos ampliam casos de doenças infecciosas e transtornos mentais.
Desafios energéticos da inteligência artificial na saúde sustentável
Klajner destacou o dilema do impacto energético da inteligência artificial (IA), que demanda grande infraestrutura computacional. A adoção de tecnologias mais eficientes e modelos computacionais leves é essencial para reduzir a pegada ambiental da IA. O Einstein investe no desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis, visando ampliar a aplicabilidade no Sistema Único de Saúde (SUS) e mitigar custos energéticos.
Necessidade de políticas integradas e sistemas de saúde resilientes diante da crise climática
É fundamental que o setor de saúde esteja no centro das políticas climáticas, com investimentos em monitoramento climático, coleta e governança de dados integrados à saúde. O Einstein desenvolve o projeto MAIS (Meio Ambiente e Impacto na Saúde) para oferecer dados qualificados para gestores públicos. Além disso, a formação de profissionais capacitados e o fortalecimento de sistemas resilientes são prioritários para responder a eventos climáticos extremos e garantir equidade no acesso à saúde.
Colaboração internacional e compromisso com a sustentabilidade no setor hospitalar
A atuação do Einstein em fóruns globais reforça a importância da cooperação internacional para acelerar soluções inovadoras em saúde e meio ambiente. Klajner ressalta a necessidade de cumprir compromissos de descarbonização e investir em tecnologias que promovam resiliência e adaptação. O setor hospitalar deve liderar a transição para modelos sustentáveis, garantindo saúde pública diante dos desafios impostos pela crise climática.





