Cuidado como base da política climática na COP30

A importância da proteção social e dos serviços públicos na resiliência climática.

Cuidado como base da política climática na COP30
Pavilhão dos Cuidados na COP30, refletindo a nova abordagem da política climática. Foto: Governo Federal

A COP30 trouxe uma nova abordagem à política climática, integrando o cuidado como elemento central na resiliência social e ambiental.

A COP30, realizada em 2025, trouxe uma nova abordagem à política climática, incorporando formalmente o conceito de cuidado aos marcos decisórios. Essa mudança é significativa, pois reflete a necessidade de um sistema de proteção social robusto em tempos de crise climática.

A Nova Abordagem do Cuidado

A inclusão do cuidado na política climática representa um ponto de inflexão. Segundo Georgia Haddad Nicolau, especialista em estudos do cuidado, esse conceito abrange serviços públicos essenciais, como saúde, educação e alimentação, todos fundamentais para sustentar a vida em situações de emergência. Essa mudança de paradigma é crucial, pois a resiliência climática não pode se basear apenas em tecnologia e infraestrutura física, mas deve incluir um suporte social sólido.

Enfrentando a Emergência Climática

Historicamente, o foco na resiliência climática esteve ligado a obras físicas e metas de mitigação. No entanto, eventos climáticos extremos, como enchentes e ondas de calor, sobrecarregam os sistemas de saúde e educação, revelando a fragilidade das comunidades mais afetadas. As necessidades básicas dessas populações recaem, em grande parte, sobre o trabalho de cuidado não remunerado, que é realizado majoritariamente por mulheres de grupos marginalizados.

O relatório “Centering Care in Climate Finance”, da economista jamaicana Mariama Williams, destaca que menos de 5% do financiamento internacional para adaptação climática é direcionado à saúde, e apenas 2% à educação. Isso evidencia a negligência em relação às condições que sustentam a vida em contextos de crise.

A Estrutura do Cuidado como Infraestrutura Climática

A proposta central é considerar os sistemas de cuidado como infraestrutura climática. Serviços de saúde acessíveis, educação integral e redes de proteção social são fundamentais para reduzir danos e aumentar a capacidade de adaptação das comunidades. Sem esses serviços, outras políticas públicas se tornam ineficazes.

Compromissos Formais e Avanços na Prática

Alguns países, como o México e o Camboja, começaram a traduzir essa nova compreensão em compromissos formais, incluindo referências ao cuidado em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). O Pavilhão dos Cuidados na COP30 foi um espaço onde governos, organizações e pesquisadores discutiram a interseção entre clima, gênero e justiça social. Essa visibilidade é um passo importante, mas ainda há muito a ser feito, já que o cuidado permanece marginalizado nas discussões sobre alocação de recursos.

Conclusão

Para que a resiliência climática seja efetiva, é imprescindível que o cuidado seja integrado não apenas nas discussões políticas, mas também nas ações concretas. A proteção das vidas das populações mais vulneráveis deve ser a prioridade, e essa certeza precisa ser refletida nas políticas públicas e nos investimentos em serviços essenciais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal