Ata notarial registra acessos ao LinkedIn e disputa evidências entre advogados e autoridades do STF
Defesa de Filipe Martins usa ata notarial para contestar prisão preventiva alegando controle sobre acessos ao LinkedIn.
Defesa de Filipe Martins registra ata notarial para contestar prisão preventiva
A defesa de Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência no governo Jair Bolsonaro, apresentou nesta terça-feira (27) em cartório de Ponta Grossa (PR) uma ata notarial que documenta acessos ao LinkedIn, indicando que o último login ocorreu em setembro de 2024. Essa ação tem o objetivo de questionar a manutenção da prisão preventiva do ex-assessor, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de violação de medida cautelar relacionada ao uso da rede social.
Contexto jurídico da prisão preventiva e a controvérsia sobre os acessos
Martins está detido preventivamente na região metropolitana de Curitiba por supostamente ter acessado o LinkedIn no final de 2025, infringindo determinação judicial. No entanto, ele foi condenado pelo STF por participação na tentativa de golpe de Estado, processo no qual ainda aguarda julgamento de recursos, o que mantém a execução da pena suspensa até o momento. A divergência crucial reside na validade das provas: enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR), representada pelo procurador Paulo Gonet, e o ministro Moraes avaliam que não houve fato novo ou documento idôneo que justifique a revogação da prisão, a defesa sustenta ter apresentado provas oficiais com cadeia de custódia e ata notarial.
Análise das evidências digitais e o uso da ata notarial
O registro em cartório reproduz imagens da plataforma LinkedIn que atestam os acessos atribuídos a Martins, formando uma linha do tempo detalhada extraída de um aparelho celular. A defesa questiona a autenticidade dos prints apresentados inicialmente pelos denunciantes, alegando que estes poderiam ter sido manipulados, inclusive com auxílio de inteligência artificial. A ata notarial é usada para dar fé pública e maior credibilidade às informações, reforçando a argumentação de que não houve infração que justifique a prisão preventiva.
Implicações políticas e jurídicas da disputa entre defesa e autoridades
O embate entre a defesa de Martins e a PGR/STF revela tensões sobre o uso de provas digitais no contexto de processos judiciais complexos e de repercussão política. A controvérsia destaca os desafios em assegurar a cadeia de custódia e autenticidade das evidências tecnológicas, essenciais para decisões judiciais que envolvem liberdade individual. Além disso, a repercussão do caso influencia o debate sobre os limites das medidas cautelares e o papel das redes sociais em investigações relacionadas a crimes políticos.
Próximos passos e possíveis desdobramentos no caso
A defesa promete apresentar a ata notarial e a comprovação da cadeia de custódia ao STF, buscando reverter a decisão que manteve a prisão preventiva. O desfecho dependerá da análise judicial sobre a credibilidade dos novos documentos e do entendimento sobre a violação ou não da medida cautelar. Caso a revogação seja concedida, abrir-se-á um precedente importante para casos futuros envolvendo evidências digitais no âmbito penal.





