Presidenta interina enfrenta desafios internos e pressões dos EUA para garantir estabilidade no país

Delcy Rodríguez atua para fortalecer seu poder na Venezuela após captura de Nicolás Maduro, enfrentando desafios internos e demandas dos EUA sobre o setor petrolífero.
Nos 12 dias desde a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, agora presidente interina da Venezuela, tem adotado medidas decisivas para consolidar seu controle político e administrativo no país, em meio a um cenário repleto de divisões e pressões internas.
Estratégias para fortalecer o poder
Rodríguez, conhecida por sua postura técnica e rigorosa, promoveu uma série de nomeações estratégicas, incluindo a designação de um ex-presidente do banco central para auxiliar na gestão econômica e o major-general Gustavo González para chefiar a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), órgão militar de inteligência e segurança interna. Essas mudanças buscam assegurar a lealdade nas estruturas de poder e mitigar riscos de oposição dentro do governo.
Sua principal adversidade interna é Diosdado Cabello, ministro do Interior e líder do partido socialista PSUV, considerado linha-dura e com forte controle sobre os serviços de segurança e grupos paramilitares conhecidos como “colectivos”. Fontes indicam que Rodríguez vê em Cabello a maior ameaça à sua liderança, apesar de declarações públicas de unidade entre os dois.
Pressão dos EUA e aumento da produção petrolífera
Concomitantemente, Rodríguez enfrenta a demanda dos Estados Unidos para ampliar a produção de petróleo venezuelano, vital para a recuperação econômica do país. A presidente interina tem mantido diálogo direto com representantes norte-americanos, incluindo encontros recentes com o diretor da CIA, John Ratcliffe, em Caracas.
Fontes próximas afirmam que sua sobrevivência política está condicionada ao apoio americano, o que a obriga a equilibrar interesses externos com a complexa dinâmica interna do regime chavista.
Instabilidade nas forças armadas e clima de tensão
A substituição de oficiais e a reestruturação das forças armadas geraram inquietação entre os militares. A Venezuela conta com cerca de 2.000 generais e almirantes, muitos com influência sobre setores econômicos e sociais, o que dificulta o controle centralizado.
Um incidente recente envolvendo disparos antiaéreos ao redor do palácio presidencial, interpretado inicialmente como possível ataque, exemplifica a fragilidade da situação. Relatos indicam que se tratou de um mal-entendido entre diferentes forças de segurança.
Reação da população e ambiente político
O povo venezuelano vive um momento de incerteza e apreensão. Enquanto alguns manifestam esperança diante da queda de Maduro, outros temem represálias. Relatos apontam para vigilância interna promovida por integrantes do PSUV contra aqueles que comemoram a mudança de liderança.
Nesse contexto, Delcy Rodríguez enfrenta o desafio de consolidar seu poder sem alienar os setores militares e partidários que garantem a estabilidade do regime, ao mesmo tempo em que responde às exigências internacionais para o futuro econômico da Venezuela.
Perspectivas para o futuro próximo
A presidente interina demonstra esforço em enviar sinais de unidade e compromisso com o desenvolvimento do país, mas o equilíbrio entre forças internas divergentes e pressões externas mantém o cenário político venezuelano volátil. O manejo das redes clientelistas militares e o controle das estruturas de poder civis serão determinantes para a continuidade de seu governo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Leonardo Fernandez Viloria




