Delcy Rodríguez rejeita ordens dos EUA na Venezuela após crise política

Líder interina defende autonomia política e anuncia mudanças nas Forças Armadas

Delcy Rodríguez rejeita ordens dos EUA na Venezuela após crise política
Delcy Rodríguez durante discurso no estado de Anzoátegui, Venezuela. Foto: Reuters

Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, declara fim das ordens dos EUA e promove reorganização militar após intervenção americana.

Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, declarou neste domingo (25) que seu país não aceitará mais ordens dos Estados Unidos, após a intervenção militar de Washington no início do ano. Em um discurso direcionado a petroleiros no estado de Anzoátegui, no norte da Venezuela, Delcy enfatizou a necessidade de que sejam os próprios venezuelanos a resolver seus conflitos internos, rejeitando a interferência externa.

Contexto da crise política venezuelana

No dia 3 de janeiro, forças militares dos EUA realizaram uma incursão na Venezuela com o objetivo de capturar o então ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Desde então, Washington declarou estar no comando do país, mas tem atuado em conjunto com Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro e atualmente lidera a Venezuela interinamente.

A relação entre Delcy e os EUA tem oscilado entre uma retórica de confronto, destinada à sua base interna, e um tom mais conciliatório, visando a comunidade internacional e o presidente Donald Trump. Essa dualidade reflete a complexidade da situação política venezuelana e os desafios para estabilizar o país.

Reorganização nas Forças Armadas venezuelanas

Em meio ao cenário de incertezas, Delcy promoveu uma significativa reorganização militar na quarta-feira (21), nomeando 12 oficiais superiores para comandos regionais das Forças Armadas. Essas mudanças ocorreram pouco mais de duas semanas após a queda do ditador Nicolás Maduro, sinalizando uma tentativa de fortalecer o controle interno e a segurança do regime interino.

Além disso, Delcy já havia designado um ex-chefe do serviço de inteligência para comandar sua guarda presidencial e dirigir a agência de contrainteligência, reforçando a estrutura de segurança ao seu redor.

Rumores e negociações com os Estados Unidos

Após a operação militar, circularam rumores na fronteira entre Brasil e Venezuela sugerindo que a cúpula política e militar venezuelana teria traído Maduro e fechado um acordo com os EUA. Essa especulação evidencia a divisão e instabilidade dentro do regime e entre seus aliados.

Apesar da retórica contra a interferência americana, o regime de Delcy tem aberto canais de diálogo, e a líder recebeu convite do governo Trump para visitar Washington. Até o momento, não há data confirmada para essa reunião, mas a iniciativa demonstra uma tentativa de negociação e busca por normalização das relações internacionais.

Desafios para a autonomia política venezuelana

A declaração de Delcy Rodríguez de que “chega de ordens de Washington” ressalta um desejo de recuperar autonomia política e estabelecer um governo capaz de resolver internamente suas divergências. Porém, o equilíbrio entre rejeitar a influência externa e manter o suporte internacional, especialmente dos EUA, representa um desafio delicado para a líder interina e para a estabilidade da Venezuela nos próximos meses.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reuters