Delegados da PF criticam atuação do STF em investigação do Banco Master

Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal alerta sobre interferências judiciais que comprometem investigação

Delegados da PF criticam atuação do STF em investigação do Banco Master
PF (Polícia Federal) faz buscas durante a segunda fase da operação Compliance Zero  • Reprodução

Delegados da PF criticam decisões do STF na investigação do Banco Master, alegando interferência que prejudica o trabalho policial.

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) divulgou nota pública em 17 de janeiro de 2026 expressando preocupação com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) nas investigações envolvendo o Banco Master. A entidade alega que decisões judiciais recentes do STF têm interferido no trabalho técnico dos delegados da Polícia Federal, prejudicando a condução das apurações.

Contexto das críticas da ADPF

A ADPF reconhece que a cooperação entre Polícia Federal e STF é uma prática consolidada, especialmente em casos que envolvem autoridades com foro privilegiado. No entanto, destaca que o êxito dessa interação depende do respeito às competências constitucionais de cada órgão: o STF exerce a jurisdição constitucional, enquanto os delegados da PF conduzem tecnicamente as investigações criminais.

Interferências judiciais contestadas

Segundo a associação, decisões recentes do STF no caso Banco Master estão determinando medidas como acareações, buscas e apreensões, e oitivas em prazos considerados exíguos. Além disso, há imposições que incluem lacração de objetos apreendidos, encaminhamento de materiais a outros órgãos e até a nomeação específica de peritos para exames técnicos. Essas ações, segundo a ADPF, não seguem os protocolos internos da Polícia Federal e são incomuns mesmo para a rotina da instituição.

Impactos na investigação e autonomia técnica

A ADPF afirma que tais interferências configuram um cenário atípico que compromete a autonomia técnica dos delegados e pode prejudicar a imparcialidade e eficiência da investigação criminal. A entidade alerta que a interferência externa coloca em risco a adequada elucidação dos fatos sob apuração, o que pode afetar a credibilidade e os resultados do inquérito.

Defesa do restabelecimento do diálogo institucional

No documento, a associação defende o restabelecimento de uma relação institucional harmoniosa entre a Polícia Federal e o STF, baseada no respeito às competências legais e no ordenamento jurídico vigente. A ADPF espera que essa cooperação seja retomada com brevidade para garantir o andamento adequado das investigações.

A atuação do STF em investigações de grande repercussão como a do Banco Master revela tensões entre poderes e a complexidade do sistema jurídico brasileiro. O debate levantado pela ADPF ressalta a importância do equilíbrio entre a jurisdição constitucional e a autonomia técnica das autoridades policiais na busca pela efetividade e legalidade das investigações criminais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br