Demora da Justiça em casos de violência doméstica

Análise sobre o tempo médio de julgamento e suas consequências

A Justiça brasileira leva em média 429 dias para começar a julgar casos de violência doméstica, refletindo uma realidade alarmante.

A Justiça brasileira enfrenta um cenário alarmante quando se trata da violência doméstica, com um tempo médio de 429 dias para iniciar o julgamento dos casos. Essa realidade, que equivale a mais de um ano, é um reflexo de uma estrutura judiciária sobrecarregada e de desafios logísticos que prejudicam a agilidade dos processos.

O cenário da violência doméstica no Brasil

Em 2025, cerca de 1,3 milhão de processos relacionados à violência doméstica estão pendentes, além de mais de 14 mil ações de feminicídio. Esses números, coletados pelo Painel de Dados Estatísticos do Poder Judiciário, revelam um sistema que luta para lidar com a gravidade das situações enfrentadas por muitas mulheres no país.

A conselheira do CNJ, Renata Gil, destaca que a dificuldade na intimação de todas as partes envolvidas e a captura do réu em casos de feminicídio são obstáculos significativos que contribuem para essa demora. A juíza Fabriziane Zapata, coordenadora da Coordenadoria da Mulher em situação de Violência Doméstica da Justiça do DF, acrescenta ainda que o esgotamento emocional dos servidores é uma questão crítica. Muitos profissionais optam por se transferir para outras áreas, incapazes de lidar diariamente com a brutalidade dos casos que atendem.

A urgência dos julgamentos

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal apresenta uma média de 359 dias para iniciar casos de violência doméstica e 177 dias para feminicídios. Esses prazos refletem não apenas a complexidade dos casos, mas também a necessidade de um suporte mais robusto para os juízes e servidores. De acordo com a juíza Zapata, a agilidade no julgamento de casos de feminicídio ocorre quando o réu é preso rapidamente, permitindo que esses processos avancem mais rapidamente em comparação aos de violência doméstica.

Apesar da lentidão, o Tribunal de Justiça do DF superou a “Meta 8” do CNJ em 2025, conseguindo julgar 106,52% dos casos de violência doméstica e 120,19% dos casos de feminicídio. Isso demonstra um esforço significativo, mas ainda insuficiente diante da quantidade de casos que permanecem sem resolução.

Propostas para uma solução efetiva

Para enfrentar essa fila de processos e melhorar a situação, especialistas sugerem várias medidas, incluindo:

  • Aumento do número de varas especializadas em violência doméstica.
  • Criação de mecanismos que facilitem a denúncia, como registros online e campanhas educativas.
  • Implementação de medidas protetivas que possam ser solicitadas de forma mais acessível.
  • Reformas nas penas previstas para crimes de violência doméstica, visando torná-las mais rigorosas.
  • Programas de reabilitação para homens que cometem violência e educação em equidade de gênero.

Essas ações não apenas ajudariam a reduzir o tempo de espera para o julgamento, mas também poderiam contribuir para uma mudança cultural necessária para erradicar a violência contra a mulher no Brasil. A luta contra essa realidade deve ser uma prioridade para o sistema judiciário e a sociedade como um todo.