Análise dos obstáculos e oportunidades no setor eólico brasileiro.
Gargalos na transmissão e altas taxas de juros afetam o crescimento da energia eólica no Brasil. O setor pode se recuperar até 2027.
A energia eólica no Brasil, reconhecida por seu potencial, está enfrentando um momento crítico. Em 2025, o setor se depara com gargalos na rede elétrica, custos elevados e um ambiente de financiamento restrito. Esses fatores têm dificultado o crescimento, que já foi acelerado, e ameaçam a posição do Brasil como um dos principais mercados eólicos do mundo.
O cenário atual da energia eólica
De acordo com Guan Feng, chefe de operações da Sany Renewable Energy na América Latina, o Brasil possui os recursos necessários para se tornar o maior mercado eólico global, especialmente na região Nordeste. No entanto, o crescimento expressivo que levou a uma capacidade instalada de 4,8 GW em 2023 teve uma queda abrupta, com previsões de instalação de apenas 3,3 GW em 2024. Guan atribui essa desaceleração a um descompasso temporário entre a oferta e a demanda, e não a uma diminuição da necessidade por energia renovável.
Gargalos na infraestrutura
Um dos principais obstáculos é a discrepância entre onde a energia é gerada e onde é consumida. A energia eólica e solar é produzida principalmente no Norte e Nordeste, enquanto a demanda se concentra nas regiões Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro. A falta de capacidade de transmissão inter-regional é um fator crítico que impede a distribuição eficiente da energia gerada.
O governo brasileiro está ciente do problema e planeja implementar novas linhas de transmissão com previsão de operação para 2028 e 2029. Um projeto, apoiado por uma subsidiária da State Grid da China, é considerado fundamental para a melhora das condições de consumo de energia renovável.
Custos e ambiente financeiro
Além da infraestrutura, os altos custos de construção e as taxas de juros elevadas estão restringindo o investimento no setor. Guan observa que construir um parque eólico terrestre no Brasil custa cerca de três vezes mais do que na China, devido a despesas logísticas e construtivas. Com a taxa básica de juros elevada a 15% pelo Banco Central, muitos projetos não se tornam viáveis economicamente.
O futuro da energia eólica no Brasil
Apesar das dificuldades, o futuro da energia elétrica no Brasil apresenta oportunidades significativas. A transição energética está em andamento, com um crescimento acelerado na indústria de veículos elétricos e um aumento na demanda por energia estável e limpa. Recentemente, empresas como o TikTok anunciaram investimentos significativos no Brasil, o que pode impulsionar ainda mais a demanda por eletricidade.
Além disso, o setor de data centers também deve contribuir para um aumento da demanda. Com a energia limpa abundante e preços globalmente atrativos, as perspectivas para o futuro são otimistas, desde que os desafios atuais sejam superados.
Oportunidades para empresas chinesas
Empresas chinesas de energia eólica estão cada vez mais investindo no Brasil. A Goldwind Science & Technology e a Windey Energy Technology já estabeleceram operações no país, demonstrando o potencial do mercado brasileiro. Guan enfatiza que, embora a América Latina não seja um mercado para crescimento explosivo a curto prazo, ele exige um compromisso e uma estratégia a longo prazo.
Com a expectativa de que o setor eólico brasileiro retome o crescimento por volta de 2027, a atenção deverá estar voltada para a construção de infraestrutura adequada e a criação de condições favoráveis para investimentos sustentáveis. O Brasil, com seu vasto potencial e recursos, pode se firmar como um líder em energia renovável, mas isso dependerá de um esforço conjunto para superar os desafios atuais.





