Desapontamento do Mercosul com UE marca cúpula em Foz do Iguaçu

Líderes sul-americanos expressam frustração e evitam citar a Venezuela.

Líderes do Mercosul expressam desapontamento com a UE e evitam mencionar a Venezuela na declaração final.

Desapontamento com a União Europeia

Os países do Mercosul, durante a cúpula realizada em Foz do Iguaçu no dia 20 de dezembro de 2025, manifestaram seu desapontamento com o adiamento da assinatura do acordo comercial com a União Europeia. A falta de consenso político entre os europeus impediu que o tratado fosse selado como previsto, frustrando as expectativas dos líderes sul-americanos.

Os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai enfatizaram que a assinatura do acordo seria uma sinalização positiva em um momento crítico para a integração internacional. Apesar da frustração, eles demonstraram confiança de que a União Europeia concluirá os processos internos necessários para a assinatura do acordo em um futuro próximo, embora sem definir um prazo específico.

A situação da Venezuela

Outro ponto de divergência que marcou a cúpula foi a ausência de qualquer menção à Venezuela na declaração final. A crise política e humanitária no país, sob a liderança de Nicolás Maduro, não foi abordada, o que gerou críticas e questionamentos sobre a postura do Mercosul em relação ao tema. O encontro terminou sem um documento oficial que abordasse a situação geopolítica da região, refletindo a complexidade das relações entre os países membros e associados.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei, da Argentina, tiveram visões opostas sobre a Venezuela. Enquanto Lula alertou que uma intervenção armada seria uma catástrofe humanitária, Milei defendeu a pressão dos Estados Unidos sobre o regime de Maduro, evidenciando as diferenças ideológicas entre os líderes da região.

Perspectivas futuras

No campo comercial, a declaração final da cúpula ressaltou a importância de expandir e diversificar as parcerias comerciais do Mercosul. Os líderes expressaram o interesse em dialogar com novos parceiros que possam aumentar a inserção do bloco na economia internacional, mostrando uma disposição para buscar alternativas às negociações com a União Europeia.

Diante das recentes decisões, fica a dúvida sobre como o Mercosul conseguirá navegar por esse cenário complexo, especialmente em relação à Venezuela e à sua própria integração interna. O futuro do acordo com a União Europeia permanece incerto, mas a esperança de um avanço nas negociações ainda se mantém entre os líderes sul-americanos.