Fósseis de um tubarão de 8 metros encontrados na Austrália datam de 115 milhões de anos e mudam a compreensão sobre os predadores do Cretáceo.

Fóssil de tubarão gigante encontrado na Austrália
Paleontólogos descobriram fósseis de um tubarão que viveu há 115 milhões de anos, cuja estimativa de tamanho é de até oito metros. Essa descoberta altera o entendimento sobre a evolução dos tubarões, indicando que a linhagem de grandes predadores já existia durante o Cretáceo. O estudo foi publicado na revista Communications Biology em 25 de novembro.
Os pesquisadores encontraram cinco vértebras, que pertencem à ordem dos lamniformes, grupo que inclui espécies conhecidas como o tubarão-branco e o tubarão-elefante. Os lamniformes podem variar bastante em tamanho, com algumas espécies chegando a dez metros. As vértebras foram localizadas na Formação Darwin, em Casuarina, perto de Darwin, no Território Norte da Austrália, e têm cerca de 115 milhões de anos.
A importância da descoberta
Benjamin Kear, curador do Museu Sueco de História Natural e coordenador do estudo, destacou que as evidências anteriores sugeriam que os lamniformes surgiram há 100 milhões de anos. Contudo, esse novo fóssil altera essa linha do tempo, mostrando que os tubarões modernos já eram gigantescos predadores na Era dos Dinossauros. Essa descoberta oferece um novo olhar sobre os ambientes oceânicos de latitudes mais altas e mais frias, onde esses tubarões poderiam ter vivido.
Para determinar o tamanho do tubarão, os cientistas realizaram uma análise estatística comparando as medidas das vértebras encontradas com dados de outras espécies de lamniformes. A análise indicou que o tubarão poderia ter entre 6 e 8 metros de comprimento e pesar até três toneladas, o que é comparável ao tamanho do tubarão-branco moderno.
Métodos de pesquisa e comparação
Os pesquisadores utilizaram uma abordagem rigorosa, reunindo dados sobre comprimento, peso total e dimensões vertebrais de várias espécies de tubarões vivos para comparar com os fósseis. Essa nova metodologia permitiu estimar o tamanho do tubarão de Darwin de forma mais precisa, levando em conta a variação que diferentes formas corporais podem ter na previsão do tamanho de espécies extintas.
Um dos fósseis comparados foi o Otodus megalodon, conhecido como o maior tubarão que já existiu, podendo alcançar de 15 a 20 metros. Os cientistas ainda esperam encontrar mais vestígios fósseis na formação que possam confirmar o tamanho estimado do tubarão de Darwin.
Ecossistema da formação Darwin
Estudos anteriores da Formação Darwin sugerem que a região era um ecossistema de águas rasas com um clima mais frio do que o atual. A presença de lamniformes nessa área indica que essas espécies poderiam ter uma adaptação conhecida como mesotermia, que lhes permitia regular a temperatura corporal em águas mais frias. Essa adaptação pode ter contribuído para o gigantismo observado.
Os tubarões provavelmente ocupavam o nicho ecológico de predadores de topo na região, uma vez que não foram encontrados grandes répteis marinhos na formação. Essa descoberta não só revela a diversidade de vida marinha na época, mas também fornece insights sobre a evolução dos tubarões ao longo do tempo.
Conclusão
A descoberta do fóssil de tubarão gigante na Austrália é um marco importante na paleontologia, pois altera a compreensão sobre a evolução dos tubarões e os ambientes em que viveram. Os pesquisadores continuam a investigar a formação Darwin, na esperança de encontrar mais evidências que possam esclarecer ainda mais a história evolutiva dessas criaturas fascinantes.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





