Conselho Nacional de Justiça pune magistrado após denúncias de importunação sexual contra colaboradora terceirizada

Desembargador de Goiás é aposentado compulsoriamente após denúncia de assédio sexual contra colaboradora terceirizada no TJGO.
Contexto e decisão do CNJ sobre o desembargador de Goiás
O desembargador de Goiás Orloff Neves Rocha foi aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após ser acusado de assédio sexual contra uma colaboradora terceirizada do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). O episódio ocorreu em abril de 2021, quando a vítima, então com 22 anos, prestava serviços técnicos de informática ao gabinete do magistrado. A decisão do CNJ reforça a importância de reconhecer a palavra da vítima mesmo em situações ocorridas em locais reservados.
Detalhes do assédio sexual registrado contra o desembargador
Durante o atendimento técnico para formatação de computador, o desembargador solicitou um encontro fora do tribunal e tentou beijar a colaboradora. Apesar do constrangimento, a vítima continuou o atendimento e recebeu um convite para sair, acompanhado de um cartão com o contato do magistrado. Ao despedir-se, ela sofreu investidas físicas, incluindo um beijo no pescoço e um tapão nas nádegas. O assédio foi formalmente denunciado na Delegacia Estadual de Apoio à Mulher (Deam), com relatos detalhados da funcionária sobre as agressões.
Impacto da decisão sobre aposentadoria e reintegração das políticas de prevenção
O crime foi cometido dois dias antes da aposentadoria voluntária de Orloff, após 36 anos no Judiciário goiano. O CNJ converteu o benefício em aposentadoria compulsória e encaminhou o caso ao Ministério Público e à Procuradoria do estado para possíveis ações que possam retirar a aposentadoria do magistrado. A decisão também enfatiza a revitalização das comissões de assédio nos tribunais e a consolidação dos canais de denúncia para garantir apoio às vítimas e punição aos agressores.
Análise do cenário atual e desafios no combate ao assédio no Judiciário
A conselheira Jaceguara Dantas, supervisora da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do CNJ, afirmou que casos de assédio ainda persistem, mesmo em 2026. A complexidade do ambiente judicial, aliada ao temor das vítimas em denunciar superiores, dificulta a erradicação do problema. A atuação firme das instituições e a confiança na palavra dos acusadores são essenciais para avançar no combate a essas práticas.
Procedimentos e desafios enfrentados pela vítima após o ocorrido
Após o assédio, a colaboradora relatou o fato aos seus superiores, que ofereceram apoio imediato. Ainda assim, o medo de retaliação e o constrangimento permaneceram presentes, dada a posição de prestígio do acusado. A vítima registrou boletim de ocorrência e buscou amparo para evitar revitimização. O caso evidencia a necessidade de protocolos eficazes e canais acessíveis para acolher denúncias dentro das instituições públicas.
Fonte: www.metropoles.com





