Desfiles na Sapucaí celebram ancestralidade africana e legado do samba

Quatro escolas apresentam enredos que exploram raízes africanas, história do samba e movimentos culturais no Rio de Janeiro

Desfiles na Sapucaí destacam ancestralidade africana e história do samba, com homenagens a tradições religiosas e ícones culturais.

Confira a programação completa dos desfiles na Sapucaí

22h – Paraíso do Tuiuti: Enredo “Lonã Ifá Lukumi”, inspirado na santería afro-cubana e na tradição iorubá.
23h30 – Unidos de Vila Isabel: “Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África”, homenageando Heitor dos Prazeres.
1h – Acadêmicos do Grande Rio: “A Nação do Mangue”, focado no movimento Manguebeat de Recife.
2h30 – Acadêmicos do Salgueiro: “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau”, em homenagem a Rosa Magalhães.

Desfiles na Sapucaí resgatam ancestralidade africana e tradições religiosas

Os desfiles na Sapucaí desta terça-feira (17) destacam a ancestralidade africana e sua influência na cultura brasileira. A Paraíso do Tuiuti, com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, propõe um mergulho na santería, uma tradição religiosa afro-cubana de matriz iorubá. Segundo o carnavalesco Jack Vasconcelos, o desfile inicia pela criação do mundo, universo e humanidade, ressaltando a importância do Ifá para a vida e a espiritualidade. A escola enfatiza a chegada do Ifá em Ifé, cidade considerada a origem da humanidade na cultura iorubá, conectando a história espiritual africana à resistência cultural e à fé preservada por meio da oralidade.

Unidos de Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres e raízes do samba

A Unidos de Vila Isabel apresenta o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África”, que presta homenagem ao compositor e artista plástico Heitor dos Prazeres, figura pioneira do samba carioca. Os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad destacam a trajetória de Heitor como fundamental para a consolidação do samba como expressão urbana do Rio de Janeiro. O desfile resgata as influências africanas no gênero e valoriza a contribuição de Heitor para as artes visuais e a memória musical nacional.

Movimento Manguebeat inspira o desfile da Acadêmicos do Grande Rio

O enredo “A Nação do Mangue” da Acadêmicos do Grande Rio destaca o movimento cultural Manguebeat, surgido em Recife na década de 1990. Com liderança de Chico Science e da banda Nação Zumbi, o movimento misturou ritmos regionais como maracatu com rock, hip-hop e música eletrônica, promovendo uma renovação estética e social baseada na realidade pernambucana. O desfile reflete a diversidade cultural brasileira e as transformações musicais que influenciaram o cenário nacional.

Acadêmicos do Salgueiro celebra a trajetória da carnavalesca Rosa Magalhães

Fechando a noite, o Acadêmicos do Salgueiro apresenta o enredo “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau”, homenagem à renomada carnavalesca Rosa Magalhães. Reconhecida pela erudição e criatividade, Rosa construiu desfiles icônicos e conquistou diversos títulos no sambódromo carioca. O desfile destaca sua contribuição para a arte do carnaval e sua influência duradoura no evento.

Os desfiles na Marquês de Sapucaí reafirmam o samba como expressão cultural e símbolo da identidade brasileira, conectando passado, presente e futuro por meio das tradições africanas e das transformações artísticas contemporâneas.