Desperdício global de alimentos cresce e deve atingir us$ 540 bilhões em 2026

Estudo aponta impactos econômicos e desafios logísticos no combate ao desperdício na cadeia alimentar mundial

Desperdício global de alimentos cresce e deve atingir us$ 540 bilhões em 2026
Alimentos saudáveis representam desafio importante na redução do desperdício global. Foto: Se as tendências atuais se mantiverem, o custo acumulado do desperdício de alimentos entre 2025 e 2030 pode atingir US$3,4 trilhões • Freepik

O desperdício global de alimentos poderá alcançar US$ 540 bilhões em 2026, pressionando margens e exigindo inovação na cadeia de suprimentos.

Panorama do desperdício global de alimentos e sua projeção para 2026

O desperdício global de alimentos continua sendo um desafio crítico para a sustentabilidade econômica e ambiental, com uma projeção que aponta para um custo de US$ 540 bilhões em 2026, conforme estudo da Avery Dennison. Este valor representa um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior, refletindo o crescimento da problemática dentro da cadeia mundial de suprimentos. Flavio Marqués, diretor de marketing, vendas e comunicação para a América Latina da Avery Dennison, destaca que o desperdício já não pode ser tratado como um custo inevitável, apontando a baixa adoção de inovações como fator determinante para as perdas significativas que afetam as margens das empresas.

Impactos econômicos do desperdício na cadeia de suprimentos brasileira

No Brasil, o desperdício de alimentos pesa fortemente no setor varejista, onde os custos relacionados chegam a representar 32% da receita anual total da cadeia de suprimentos alimentícia, abrangendo desde a colheita até o ponto de venda. O Pacto Contra a Fome estima que cerca de 55,4 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente, o que equivale a aproximadamente 30% da produção nacional. Perdas significativas ocorrem nas etapas de pós-colheita, armazenamento e transporte, influenciadas diretamente pelo tipo de embalagem utilizada, que afeta a durabilidade e a integridade dos produtos.

Desafios logísticos e a falta de visibilidade na gestão do desperdício

A pesquisa revelou que 61% das empresas ainda não possuem uma visão completa sobre onde ocorre o desperdício em suas operações. A logística e a distribuição permanecem como os principais pontos críticos, com 56% dos entrevistados afirmando não compreender os locais exatos onde os alimentos são perdidos durante o transporte. Além disso, 67% das gestões de estoque de alimentos ainda são realizadas por contagem manual, processo suscetível a falhas e ineficiências que agravam o problema. A volatilidade econômica e as mudanças no comportamento do consumidor, como o aumento da demanda por porções menores e alternativas à proteína animal, complicam ainda mais a previsão e o planejamento para reduzir desperdícios.

Categorias alimentares impactadas e custos associados

Entre os alimentos mais difíceis de gerenciar em termos de desperdício destacam-se as carnes (50%), frutas e verduras (45%) e produtos de panificação (28%). O mercado de carnes, por exemplo, deve gerar um custo estimado de US$ 94 bilhões em perdas para 2026, representando quase um quinto do impacto econômico total do desperdício global de alimentos. Essas dificuldades refletem a complexidade do setor e a necessidade de soluções específicas para cada categoria, buscando a redução das perdas e a otimização dos processos.

Inovação e colaboração como caminhos para a redução do desperdício global

Se as tendências atuais persistirem, o custo acumulado do desperdício alimentar entre 2025 e 2030 pode atingir US$ 3,4 trilhões, um cenário que contrasta com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 da ONU, que visa cortar pela metade o desperdício global até 2030. No entanto, 27% dos líderes empresariais acreditam que não conseguirão cumprir essa meta no prazo estipulado. A Smurfit Westrock, empresa global de embalagens, exemplifica como a inovação pode contribuir para esse desafio, ao otimizar o uso do espaço em contêineres e caixas para frutas e verduras, aumentando a capacidade de transporte e reduzindo os custos e emissões de CO₂. O CEO da empresa no Brasil, Manuel Alcalá, ressalta que embalagens estratégicas são essenciais para proteger os alimentos, reduzir desperdícios e melhorar a eficiência logística, reforçando que a colaboração entre os diversos elos da cadeia é fundamental para enfrentar esse problema complexo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Se as tendências atuais se mantiverem, o custo acumulado do desperdício de alimentos entre 2025 e 2030 pode atingir US$3,4 trilhões • Freepik