Diesel registra alta de 20,4% desde o início da guerra no Oriente Médio

Preço do diesel atinge R$ 7,26 no Brasil e reflete impacto direto do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel

Diesel registra alta de 20,4% desde o início da guerra no Oriente Médio
Postos de combustíveis com preços elevados refletem alta do diesel. Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Alta do diesel chega a 20,4% no Brasil desde início da guerra no Oriente Médio, impactando setor de transportes e economia.

Impactos da alta do diesel no Brasil desde o início da guerra no Oriente Médio

A alta do diesel no Brasil tem sido uma consequência direta do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, que começou no final de fevereiro. Desde então, o preço do diesel acumulou um aumento de 20,4%, saltando de R$ 6,03 para R$ 7,26 por litro na semana encerrada em 20 de março. A gasolina também sofreu elevação, ainda que menor, de 5,9%, passando de R$ 6,28 para R$ 6,65. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou esses dados, que evidenciam o reflexo imediato da instabilidade global no mercado nacional de combustíveis.

Cenário internacional: conflito no Oriente Médio e volatilidade no mercado petrolífero

O conflito no Oriente Médio gerou uma crise energética global, impactando diretamente os preços do petróleo e seus derivados. Ataques a instalações de extração e transporte de petróleo, principalmente no Irã, assim como a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo — aumentaram a volatilidade dos preços. O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, atingiu picos de US$ 119 em várias ocasiões desde o início do conflito, pressionando os mercados e elevando o custo dos combustíveis para consumidores finais em diversas regiões, inclusive no Brasil.

Medidas governamentais para mitigar efeitos da alta do diesel no Brasil

Diante da escalada dos preços, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um pacote de medidas para conter o impacto no setor de transportes e na economia em geral. Entre as ações estão a criação de um programa de subvenção ao diesel, com subsídios para produtores e importadores do combustível, além da zeragem dos tributos federais PIS e Cofins sobre o diesel. Também foi instituído um imposto sobre a exportação de petróleo e proposta isenção do ICMS na importação do diesel, com compensação de 50% das perdas aos estados. Paralelamente, o governo montou uma força-tarefa para fiscalização contra preços abusivos, inspecionando mais de mil postos e 64 distribuidoras pelo país.

Repercussões no setor de transportes e debates sobre paralisação

A alta do diesel gerou tensão entre caminhoneiros, que chegaram a discutir uma paralisação nacional como protesto contra o aumento dos custos operacionais. Entretanto, em assembleia realizada em 19 de março, a categoria decidiu manter o diálogo com o governo e não avançar com a greve. Esse movimento reflete a complexidade da situação, em que os impactos econômicos são sentidos diretamente pelos setores que dependem do combustível para suas atividades diárias, além de influenciar a cadeia de abastecimento e preços ao consumidor.

Perspectivas e influências políticas internacionais na estabilidade dos preços

Em âmbito internacional, os Estados Unidos reagiram ao conflito liberando temporariamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo do Irã, com suspensão de sanções para permitir a venda do petróleo já armazenado em navios-tanque, até 19 de abril. Essa medida visa aliviar a tensão no mercado mundial e conter a alta dos preços, embora o cenário permaneça incerto devido à complexidade geopolítica da região. O desenrolar do conflito e as decisões das potências envolvidas continuarão a influenciar diretamente os preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis no Brasil e no mundo.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo