Dirigente do COI acredita em diálogo para direitos das mulheres

Samira Asghari defende que o respeito aos direitos femininos é vital para reconhecimento internacional do regime talibã.

Samira Asghari, do COI, afirma que diálogo com talibãs é essencial para garantir direitos femininos no Afeganistão.

Diálogo com talibãs é essencial para direitos das mulheres

O regime talibã, atualmente no poder no Afeganistão, defende que os direitos das mulheres devem ser regidos pela lei islâmica, uma postura que tem gerado preocupações internacionais. Samira Asghari, membro afegã do Comitê Olímpico Internacional (COI), enfatiza que a aceitação internacional do regime está diretamente ligada ao respeito aos direitos das mulheres, especialmente no que diz respeito à educação e ao esporte. Em uma entrevista recente, Asghari, que vive exilada, afirmou: “Os talibãs precisam entender que sua aceitação internacional está diretamente ligada ao respeito aos direitos das mulheres à educação e ao esporte”.

A importância do diálogo

A dirigente olímpica ressalta que o diálogo com os talibãs é fundamental, mesmo em um contexto desafiador. “Quando você se posiciona publicamente sobre os direitos das mulheres, você se torna um alvo. Mas eu acredito firmemente na comunicação e no diálogo”, disse Asghari. Ela reconhece que as conversas não são fáceis, mas considera que são essenciais para abrir oportunidades para as futuras gerações no Afeganistão.

Desafios enfrentados pelas mulheres afegãs

O regime talibã impõe restrições severas, proibindo meninas de frequentarem a escola após os 12 anos e limitando suas opções de trabalho e participação em esportes. Asghari, que se tornou a primeira afegã a integrar o COI em 2018, está ciente dos riscos envolvidos em sua luta pelos direitos das mulheres. “É muito difícil para eles continuarem governando o Afeganistão dessa maneira a longo prazo”, afirmou, referindo-se à necessidade dos talibãs de reconhecerem os direitos das mulheres.

O papel do esporte na mudança social

Com atletas afegãs agora espalhadas pelo mundo, a formação de seleções nacionais tornou-se um desafio. Recentemente, uma equipe composta por jogadoras de futebol afegãs refugiadas competiu em um torneio organizado pela Fifa no Marrocos. Asghari vê isso como um passo inicial e espera que a Fifa se envolva nas negociações em andamento do COI com os talibãs. “Este apoio às atletas de fora do Afeganistão é apenas o primeiro passo”, disse ela, ressaltando a importância de continuar a pressão por melhores condições para as mulheres afegãs.

O futuro das mulheres no Afeganistão

Asghari defende a importância de aproveitar até mesmo as pequenas oportunidades que o regime talibã possa oferecer, como o desenvolvimento do esporte nas escolas de ensino fundamental, onde as meninas ainda podem estudar até a sexta série. “Não se trata de aceitar as restrições dos talibãs, mas de não abandonar as meninas e mulheres do Afeganistão. Temos que trabalhar com a realidade enquanto seguimos pressionando por mudanças fundamentais”, concluiu. Ela enfatiza que o futuro do Afeganistão depende da jovem geração, e é essencial dar a elas oportunidades, por menores que sejam.