Distribuidores de aço plano projetam novo ano de crescimento tímido em 2026

Setor enfrenta desafios com importações e estoques elevados, enquanto aguarda medidas antidumping do governo

Distribuidores de aço plano projetam novo ano de crescimento tímido em 2026
Produção de aço em planta da Gerdau • Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Distribuidores de aço plano no Brasil preveem crescimento fraco pelo terceiro ano consecutivo em 2026, pressionados por importações elevadas e estoques altos.

O mercado brasileiro de distribuição de aço plano enfrenta um cenário desafiador, com expectativa de terceiro ano consecutivo de crescimento modesto em 2026. De acordo com o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), as vendas devem subir apenas 1,5%, ritmo semelhante ao desempenho de 2025, quando o crescimento foi de 1,3%.

Desempenho recente das vendas

Em 2025, as vendas pelos distribuidores atingiram 3,89 milhões de toneladas, marca que reflete dois anos de desempenho muito fraco, com crescimento de 1,1% em 2024 e 1,3% no ano seguinte. A comercialização em dezembro caiu 20,4% em relação a novembro e recuou 0,4% comparado ao mesmo mês do ano anterior, chegando a 248,3 mil toneladas. Para janeiro de 2026, há previsão de recuperação de 15% sobre o mês anterior, mas ainda inferior em 10,8% ao volume registrado em janeiro de 2025.

Pressão das importações e estoques elevados

O aumento das importações de aço plano tem sido um fator de pressão constante. Em 2025, as importações cresceram 24,1%, totalizando 3,33 milhões de toneladas. Essa expansão elevou a participação das importações para 29,5% em relação à produção nacional — o maior índice em uma década — e para 32,5% frente às vendas no mercado interno. Considerando apenas as vendas dos distribuidores, as importações representaram 85,5% do volume comercializado, contra cerca de 26% em 2020.

Os maiores exportadores ao Brasil foram a China, com 2,32 milhões de toneladas, Coreia do Sul, que aumentou quase cinco vezes suas exportações para cerca de 650 mil toneladas, e Egito, que teve crescimento expressivo nas vendas.

Enquanto isso, os estoques dos distribuidores fecharam 2025 em 1,129 milhão de toneladas, 11,4% acima do ano anterior e equivalentes a 4,5 meses de vendas. Esse excesso dificulta a transferência integral dos reajustes de preços praticados pelas usinas ao consumidor final.

Expectativa sobre medidas antidumping e impacto nos preços

O setor aguarda com atenção a decisão do governo brasileiro a respeito da adoção de medidas antidumping contra importações de aço laminado a frio, galvanizado e laminado a quente. A expectativa por essas medidas tem influenciado o comportamento do mercado, inclusive estimulando compras antecipadas em dezembro, que tiveram alta de 5,7% na comparação anual.

As usinas já repassaram aumentos de preços entre 5% e 8% em janeiro e sinalizam novos reajustes de igual intensidade para fevereiro. Entretanto, a capacidade dos distribuidores de transmitir esses aumentos ao mercado depende em grande parte das barreiras comerciais adotadas pelo governo para conter as importações.

Perspectivas para 2026

Para os próximos meses, a previsão é de redução das importações a partir do segundo trimestre, baseada na diminuição das filas de desembarque nos portos brasileiros, especialmente no de São Francisco do Sul (SC), principal porta de entrada de aço no país. Essa redução pode aliviar a pressão sobre o mercado interno e ajudar a equilibrar oferta e demanda.

O ambiente permanece desafiador para os distribuidores de aço plano, que precisam conciliar estoques elevados, reajustes de preços e competição das importações, enquanto aguardam ações governamentais que possam modificar o panorama comercial.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: REUTERS/Paulo Whitaker