Ministro Haddad destaca que juros reais pressionam mais o endividamento que resultado fiscal do governo
Relatório do Tesouro projeta dívida pública de até 95% do PIB em 2035, com juros reais como principal fator de pressão, segundo ministro Haddad.
Diagnóstico do Tesouro Nacional sobre a dívida pública brasileira
A dívida pública cresce com projeções do Tesouro Nacional indicando que poderá atingir até 95,4% do PIB em 2035, cenário que se desenha caso não sejam adotadas novas medidas de receita ou contenção de gastos. O relatório divulgado em 12 de janeiro de 2026 destaca que despesas fora das normas do arcabouço fiscal, como precatórios, e a ausência de compensações fiscais agravam a trajetória da dívida. O documento aponta que mesmo no cenário mais moderado, a relação dívida/PIB pode alcançar cerca de 88,6% em 2032.
Juros reais são o principal fator de pressão, segundo ministro Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em 13 de janeiro de 2026 que a dívida pública cresce principalmente devido ao impacto dos juros reais elevados, não ao resultado primário do governo. Haddad ressaltou que, apesar do déficit fiscal estimado para 2025 ser maior que o de 2024, isso se deve à inclusão integral dos precatórios no cálculo, o que não foi feito no ano anterior. Ele reforçou que o governo tem cumprido as metas fiscais consistentemente, elevando o rigor das Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs).
Impacto da flexibilização da Emenda Constitucional 136 na trajetória da dívida
O relatório do Tesouro ressalta que a Emenda Constitucional 136 permitiu a exclusão parcial dos precatórios do resultado primário, aumentando o espaço para gastos no curto prazo. No entanto, essa medida eleva a dívida no médio e longo prazo, exigindo maior esforço fiscal futuro para sua estabilização. A flexibilização abre espaço para despesas adicionais, mas compromete a sustentabilidade das contas públicas a médio prazo.
Necessidade de medidas adicionais para conter o endividamento público
Para evitar que a dívida pública atinja níveis insustentáveis, o relatório enfatiza a necessidade de aumentar receitas e rever o ritmo de crescimento das despesas, especialmente diante de um ambiente de juros ainda elevados. A geração de superávits primários mais robustos é apontada como fundamental para reverter a trajetória da dívida, que permanece elevada e pressionada principalmente pelos custos financeiros e despesas fora do limite fiscal.
Contexto e perspectivas para a política fiscal brasileira
A análise indica que o cumprimento isolado das metas fiscais pode ser insuficiente para garantir a sustentabilidade da dívida pública sem ajustes estruturais profundos. O cenário exige ações coordenadas para controlar gastos e ampliar receitas, visando assegurar a estabilidade econômica no médio e longo prazo. O equilíbrio fiscal e a gestão eficiente dos juros reais são desafios centrais para o governo diante das projeções preocupantes para o endividamento brasileiro.





