Levantamento da Farsul revela que grande parte do endividamento agrícola gaúcho não é abrangida pela medida provisória

Federação da Agricultura aponta que 88,3% do saldo devedor de contratos analisados não é abrangido pela MP 1.376, questionando efetividade da medida
A dívida rural do Rio Grande do Sul apresenta um cenário preocupante diante da Medida Provisória 1.376/2026. Levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado revela que aproximadamente 88,3% do saldo devedor de contratos de crédito rural analisados não encontra amparo na legislação provisória, destacando a insuficiência da medida em solucionar o problema do endividamento agrícola regional.
Amplitude limitada da medida provisória
A análise foi conduzida sobre uma amostra significativa de contratos, permitindo traçar um panorama representativo da realidade do crédito rural no estado. O resultado aponta que a MP 1.376 alcança apenas uma fração do passivo total, deixando a maioria dos agricultores fora de suas disposições. Esse cenário sugere que produtores rurais continuarão enfrentando dificuldades financeiras mesmo com a implementação da medida.
A Federação da Agricultura questiona a efetividade de uma política pública que não consegue abraçar a maior parte da dívida do setor. Segundo a instituição, a cobertura insuficiente compromete os objetivos de alívio financeiro e restruturação de passivos que motivaram a criação da medida provisória.
Impacto no financiamento agrícola
O endividamento representa um dos principais desafios enfrentados pela agricultura gaúcha. Com grande parte do passivo rural excluída da proteção da MP 1.376, agricultores precisarão buscar alternativas de negociação diretamente com credores ou recorrer a outras linhas de crédito. Essa situação amplia o risco financeiro para produtores já impactados por fatores climáticos e de mercado.
A restrição também levanta questões sobre a capacidade da medida em promover recuperação econômica do setor. Instituições financeiras que operam com crédito rural enfrentarão continuidade nas dificuldades de recebimento, enquanto produtores seguem sob pressão do serviço da dívida.
Posicionamento da Farsul
A federação, ao divulgar esses números, sinaliza a necessidade de ampliação do alcance da medida provisória. A instituição representa os interesses dos agricultores gaúchos e historicamente defende políticas de crédito mais inclusivas para o setor. O levantamento econômico coloca em pauta a urgência de revisão da legislação para atender um espectro mais abrangente de contratos rurais.
O debate sobre a eficácia de políticas de alívio da dívida agrícola torna-se essencial para o fortalecimento da agricultura regional e para a sustentabilidade financeira de produtores.





