Dunas móveis desafiam urbanização no litoral do Rio Grande do Sul

Impactos da ocupação urbana nas dunas e na vida local

Dunas móveis desafiam urbanização no litoral do Rio Grande do Sul
Dunas em movimento no litoral gaúcho, desafiando a urbanização. Foto: Brenda Fernández/Arquivo pessoal

O fenômeno das dunas móveis no litoral gaúcho se intensifica com a urbanização, impactando a vida dos moradores.

As dunas móveis no litoral do Rio Grande do Sul, especialmente em Cidreira e Imbé, se tornaram um fenômeno que desafia a urbanização. A ocupação desordenada e a interrupção do fluxo natural da areia têm impactado profundamente a vida dos moradores, como a aposentada Vanda Rodrigues, que relata a luta constante contra a areia que invade sua casa.

O desafio das dunas em movimento

Vanda, que vive na comunidade Costa do Sol, teve que construir um muro de contenção de cinco metros para proteger sua residência da areia, que se acumula em seu pátio. Essa situação não é única; muitos moradores da região adotaram medidas semelhantes, levantando muros altos para se defender das dunas que avançam.

O problema se agrava especialmente para as casas de veranistas, que não mantêm a limpeza regular, resultando em imóveis soterrados ou até desaparecidos. Ivone Carneiro, comerciante local, observa que a expansão desregrada de ruas e construções irregulares contribui para a crise. “As dunas não prejudicam ninguém; são as pessoas que prejudicam as dunas”, afirma.

Impactos da urbanização no ecossistema

O fenômeno das dunas móveis não é exclusivo de Cidreira; outras cidades gaúchas, como Balneário Pinhal e Tramandaí, também enfrentam esse desafio. O professor de oceanologia Gerson Fernandino explica que a urbanização interferiu no fluxo natural de sedimentos, que antes se deslocavam livremente. A crescente ocupação da região, que teve um aumento populacional de 32% entre 2010 e 2022, intensificou o problema.

As prefeituras enfrentam dificuldades para gerenciar as dunas, pois muitas áreas são classificadas como de preservação permanente (APPs). Contudo, ações como o plantio de vegetação nativa e o manejo controlado são permitidos, e diversas cidades estão adotando essas práticas para estabilizar as dunas e minimizar os impactos da movimentação da areia.

Medidas e soluções em andamento

Em Imbé, a limpeza regular das ruas é uma prioridade, especialmente com a chegada do verão. As equipes urbanas utilizam retroescavadeiras e caminhões para lidar com o acúmulo de areia, que pode afetar a circulação de turistas. Além disso, a prefeitura aguarda licenciamento para cercar as dunas com toras de madeira, visando proteger a estrutura das dunas e evitar problemas causados pelos caminhos improvisados criados por banhistas.

Infelizmente, os ventos de um ciclone recente diminuíram o tamanho de muitas dunas, causando danos significativos em quiosques e comprometendo o crescimento de vegetação que estabiliza o solo. As preocupações dos moradores refletem a dualidade do fenômeno: enquanto a areia pode ser vista como um incômodo, ela também atua como uma barreira natural contra a invasão do mar.

Concluindo, a situação das dunas móveis no litoral gaúcho exige um equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental, destacando a necessidade de planejamento e conscientização para garantir a segurança e o bem-estar da comunidade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Brenda Fernández/Arquivo pessoal