Durigan avalia contestar no STF refinanciamento bilionário da dívida rural

Ministro da Fazenda aponta impactos financeiros elevados e cogita ação judicial contra projeto aprovado pelo Senado

Durigan avalia contestar no STF refinanciamento bilionário da dívida rural
Ministro da Fazenda Dario Durigan durante reunião com ministro do STF Luiz Fux. Foto: METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O ministro Dario Durigan considera ir ao STF contra projeto de refinanciamento da dívida rural, devido ao alto custo estimado para o Tesouro.

Contexto e avaliação do refinanciamento da dívida rural pelo governo

O refinanciamento da dívida rural se tornou uma pauta central no debate político em 10 de junho de 2026, data da aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023 no Senado. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, após acompanhar a votação, indicou que o governo federal estuda a possibilidade de levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Durigan enfatizou que, embora apoie medidas de amparo para produtores rurais do Rio Grande do Sul afetados por eventos climáticos extremos, o texto atual representa um impacto bilionário para o Tesouro Nacional, estimado em torno de R$ 140 bilhões, valor este que ele considera incompatível com uma ajuda mais focalizada e eficiente.

Principais pontos do projeto e abrangência do benefício

O PL aprovado cria uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais e cooperativas agropecuárias que sofreram perdas de pelo menos 30% na renda bruta em duas safras entre 2019 e 2025. As dívidas contempladas precisam ter sido contraídas até 31 de dezembro de 2025, com renegociação até 30 de abril de 2026, ou possuir parcelas vencidas até 2027 em situação de inadimplência também até abril de 2026. Os recursos para esta iniciativa virão principalmente do Fundo Social do Pré-Sal, que inclui superávits e receitas previstas para os anos entre 2025 e 2027, além de outros fundos geridos pela Fazenda ou indicados pelo Executivo futuramente.

Impactos financeiros e a posição do Ministério da Fazenda

A estimativa feita pelo ministro Dario Durigan aponta para um universo total de operações de aproximadamente R$ 200 bilhões, dos quais 70% seriam custeados pelo Tesouro, ou seja, cerca de R$ 140 bilhões. Tal valor suscita preocupações devido ao seu efeito nos cofres públicos nos próximos anos. O ministro ressaltou que o governo não se opõe ao tema em si, mas considera que a magnitude dos recursos envolvidos e o formato aprovado pelo Senado destoam do objetivo original de oferecer apoio direcionado e eficiente aos agricultores mais afetados.

Tentativas de negociação e atores centrais na discussão

Antes da votação, houve reuniões estratégicas envolvendo o ministro Dario Durigan, o senador Renan Calheiros (relator do projeto), a senadora Tereza Cristina e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. O objetivo dessas reuniões era buscar um consenso sobre os detalhes e o alcance do projeto. Apesar dos esforços e de vários encontros ao longo dos meses entre Calheiros e Durigan, não houve acordo final. Na saída da última reunião, o senador evitou comentários públicos, assim como o governador Eduardo Leite, demonstrando a complexidade do tema e as divergências remanescentes.

Perspectivas e desdobramentos futuros sobre a pauta bilionária

O cenário aponta para uma possível ação judicial no STF por parte do governo federal, seja para questionar dispositivos específicos ou para tentar impedir a implementação integral do projeto. Paralelamente, o Executivo pode optar pelo veto total ou parcial da proposta, dependendo da análise final do impacto financeiro e político. Enquanto isso, produtores rurais e cooperativas aguardam definição para o acesso aos recursos e renegociação das dívidas. O desenrolar desse processo terá reflexos importantes no setor agropecuário e na política fiscal nacional, dada a magnitude dos valores envolvidos e a relevância social da medida.