Durigan avalia recorrer ao STF contra refinanciamento da dívida rural

Ministro da Fazenda manifesta preocupação com impacto bilionário do projeto aprovado no Senado para produtores rurais

Durigan avalia recorrer ao STF contra refinanciamento da dívida rural
Ministro da Fazenda Dario Durigan em reunião com ministro do STF Luiz Fux. Foto: METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Projeto que usa recursos do pré-sal para renegociar dívidas rurais preocupa governo por custo bilionário e pode ser questionado no STF.

Contexto da avaliação do refinanciamento da dívida rural pelo governo federal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que foi aprovado no Senado em 10 de junho. O texto permite o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para o refinanciamento da dívida rural, especialmente para produtores afetados por eventos climáticos extremos.

Durigan destacou que, embora apoie o amparo aos produtores rurais do Rio Grande do Sul, o projeto apresenta um custo financeiro elevado para o Tesouro Nacional, estimado em cerca de R$ 140 bilhões, o que supera a intenção inicial de focar no atendimento mais direcionado aos agricultores mais prejudicados.

Detalhes do projeto aprovado e sua abrangência

O PL 5.122/2023 cria uma linha especial de financiamento para produtores rurais e cooperativas atingidos por fenômenos climáticos adversos e por conflitos internacionais. Os recursos para essa renegociação virão da exploração do pré-sal, incluindo superávits e receitas previstas entre 2025 e 2027, além de fundos sob administração da Fazenda e eventuais outros indicados pelo Executivo.

O projeto contempla dívidas contratadas até 31 de dezembro de 2025, com renegociações até 30 de abril de 2026, e parcelas em situação de inadimplência até 30 de abril de 2026. Os beneficiados são aqueles que sofreram perdas em pelo menos duas safras de 2019 a 2025, com redução mínima de 30% na renda bruta.

Impactos econômicos e debate político sobre o custo fiscal

A principal preocupação do governo, representado pelo ministro Durigan, é o impacto bilionário dessa medida no orçamento público. A estimativa de R$ 140 bilhões para o Tesouro é vista como excessiva e incompatível com a proposta original, que visava um apoio mais focalizado.

As negociações entre o relator do projeto, senador Renan Calheiros, a ministra Tereza Cristina e o governador Eduardo Leite, buscaram ajustes no texto, mas não conseguiram consenso com a equipe econômica da Fazenda.

Posicionamento do governo e possíveis ações futuras

Durigan afirmou que o governo federal vai analisar o texto final do projeto e poderá optar por vetar partes consideradas inadequadas. Além disso, a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal para contestar o projeto foi explicitamente mencionada, visando proteger o equilíbrio financeiro do país.

O ministro reforçou o compromisso com medidas que amparem os produtores rurais, mas ressaltou que o atual formato do projeto destoa dessa intenção e pode gerar consequências fiscais preocupantes.

Perspectivas para o agronegócio e a gestão da dívida rural

A aprovação do projeto tem o potencial de oferecer alívio financeiro para muitos agricultores, principalmente no Rio Grande do Sul, que enfrenta perdas significativas por eventos climáticos. Contudo, o debate entre o Executivo e o Legislativo evidencia a complexidade em conciliar apoio social com responsabilidade fiscal.

A criação de mecanismos como o Fundo Garantidor do Agronegócio, sinalizada por Durigan, pode ser uma alternativa para oferecer segurança financeira ao setor sem comprometer excessivamente o orçamento público.

A questão permanece em aberto, e os próximos passos dependerão das decisões do governo e do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade e o impacto orçamentário da medida.