Ministro da Fazenda afirmou que 70% dos trabalhadores já atuam na jornada 5×2 e classificou impacto como minoritário

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo pode oferecer uma linha de crédito para empresas afetadas pelo fim da jornada 6×1.
O ministro da Fazenda Dario Durigan anunciou na sexta-feira (16) que o governo federal pode preparar uma linha de crédito voltada a empresas eventualmente afetadas pelo fim da escala de trabalho 6×1, com objetivo de fomentar capacitação, inovação e produtividade.
Durigan reconheceu que a nova regra trabalhista gera ônus para alguns empresários, mas classificou o impacto como algo “minoritário”. Segundo o ministro em entrevista à TV Band, cerca de 70% dos trabalhadores já atuam hoje na escala de trabalho 5×2.
“Os empresários têm que ter apoio do governo para participar desse novo tempo, que é uma mudança civilizacional”, afirmou Durigan, falando como coordenador do plano econômico da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Senado aprovou na quarta-feira (14) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada 6×1, medida defendida pelo presidente Lula mas alvo de críticas por setores empresariais. A aprovação da PEC representa uma vitória para o governo, que vinha mobilizando apoio legislativo para a mudança.
Em posicionamentos anteriores neste ano, Durigan se opôs a medidas compensatórias a companhias afetadas pela nova regra. Ele chegou a afirmar que não caberia ao governo indenizar empresários, mas sim prever um prazo de transição para adaptação às novas regras.
Na mesma entrevista, o ministro afirmou que a taxa de juros segue sendo um problema no país e defendeu que o governo mantenha o trabalho de ajuste das contas públicas, com obtenção de superávits primários cada vez maiores, mas sem “cavalo de pau”.
Em relação ao ajuste fiscal de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para adoção em prazo curto, Durigan afirmou que a ideia não é crível. Para o ministro, um ajuste dessa magnitude não poderia ser feito sem passar por cortes em políticas públicas, como os ganhos reais do salário mínimo e outras ações sociais.
“Ele precisa dizer para quem está mentindo, ou é para o mercado ou é para as pessoas que são beneficiárias desses programas… É totalmente inviável, totalmente mentiroso”, declarou Durigan.
A aprovação da PEC que extingue a escala 6×1 segue agora para votação na Câmara dos Deputados, onde será necessária aprovação de três quintos dos parlamentares para sua promulgação.






