Eduardo Bolsonaro questiona influência de Tarcísio na chapa ao Senado em São Paulo

Ex-deputado critica exclusão das negociações e pede inclusão na definição dos candidatos conservadores

Eduardo Bolsonaro critica governador Tarcísio de Freitas por deixá-lo de fora das negociações da chapa conservadora ao Senado em São Paulo.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro provocou repercussão ao manifestar publicamente sua insatisfação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em relação à composição da chapa conservadora ao Senado no estado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo ironizou a exclusão de sua participação nas negociações, afirmando que, por deter uma “transferência” significativa de votos, deveria ser consultado sobre as candidaturas.

Eduardo Bolsonaro contesta bastidores da chapa conservadora

Na gravação, Eduardo Bolsonaro questiona a lógica que permite que todos tenham o direito de lançar candidatos, mas que sua opinião, como representante da família Bolsonaro, é desconsiderada. “Eu tenho que pedir bênção pro Tarcísio”, afirmou sarcasticamente, demonstrando o incômodo com o atual alinhamento político no estado.

Ele destacou ainda sua admiração pelo candidato Guilherme Derrite (PP-SP), indicado para uma das vagas ao Senado, mas reclamou da falta de diálogo a respeito dessa escolha. Eduardo defendeu que o Partido Liberal (PL) mantenha autonomia para definir seu candidato, especialmente considerando que ele próprio não pretende concorrer, planejando permanecer nos Estados Unidos durante o período eleitoral, devido a receios legais.

Disputa por influência e estratégia eleitoral

A crítica de Eduardo reflete um embate interno no campo conservador paulista, onde a definição da chapa ao Senado é vista como crucial para garantir a força política da direita em um dos maiores colégios eleitorais do país. A atuação do ex-deputado indica a tentativa de assegurar que nomes alinhados diretamente com seu círculo e interesses recebam apoio, fortalecendo sua presença política mesmo à distância.

Ele argumentou que, na sua ausência, é fundamental selecionar candidatos próximos a ele para representar o PL. “Se eu não vou concorrer, eu tenho que colocar alguém que minimamente seja próximo de mim para concorrer”, justificou.

Críticas à falta de apoio a Flávio Bolsonaro

Além das questões sobre a chapa ao Senado, Eduardo Bolsonaro também cobrou o posicionamento de Tarcísio em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, seu irmão, no estado. Segundo ele, seria importante que o governador manifestasse apoio explícito, fortalecendo a campanha de Flávio em São Paulo.

“Acho que seria conveniente para uma pessoa que queira agregar o Flávio Bolsonaro numa campanha estadual em São Paulo, que é um Estado-chave, o maior colégio eleitoral do país”, afirmou Eduardo, reforçando a necessidade de apoio mútuo entre os grupos políticos conservadores.

Contexto do cancelamento da visita a Jair Bolsonaro

O descontentamento de Eduardo ocorreu no mesmo dia em que Tarcísio de Freitas cancelou uma visita agendada para encontrar Jair Bolsonaro na cela do 19º Batalhão da PMDF, onde o ex-presidente está preso. A expectativa era que o encontro servisse para confirmar o apoio de Tarcísio à campanha de Flávio Bolsonaro, mas o cancelamento foi interpretado como um ato de resistência do governador.

Desafios à união da direita paulista

Em seu perfil no X, Eduardo Bolsonaro voltou a provocar a falta de alinhamento claro entre os líderes da direita, questionando o que estaria faltando para que todos declarassem apoio espontâneo aos candidatos indicados por Bolsonaro. “Se todos votariam no indicado de Bolsonaro, o que está faltando para declarar apoio espontaneamente?”, indagou.

Essa declaração evidencia as tensões internas e a dificuldade encontrada para consolidar uma frente coesa entre os partidos conservadores em São Paulo para as eleições, o que poderá impactar a estratégia eleitoral do grupo nas disputas estaduais e federais.