Efeito sanfona reduz função da gordura marrom e atrapalha metabolismo feminino

Pesquisa da Unicamp revela que ciclos repetidos de perda e ganho de peso prejudicam a atividade da gordura que ajuda a queimar energia

Estudo da Unicamp aponta que o efeito sanfona prejudica metabolismo feminino ao diminuir a atividade da gordura marrom, essencial para queima energética.

Impactos do efeito sanfona sobre a gordura marrom em mulheres

O efeito sanfona, caracterizado por ciclos repetidos de perda e ganho de peso, tem se mostrado um fator prejudicial à saúde metabólica feminina. Um estudo da Unicamp realizado com 121 mulheres entre 20 e 41 anos revelou que aquelas que passaram por três ou mais episódios desse padrão apresentam redução significativa na atividade da gordura marrom (BAT), tecido adiposo fundamental para o gasto energético do organismo. Essa pesquisa foi conduzida no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes do Gastrocentro-Unicamp, sob orientação de Ana Carolina Junqueira Vasques.

A importância da gordura marrom no metabolismo e sua ativação pelo frio

A gordura marrom, ou BAT (brown adipose tissue), se diferencia da gordura branca por sua capacidade de queimar glicose e lipídios para produzir calor, contribuindo para o equilíbrio energético. Rica em mitocôndrias, que dão a coloração característica ao tecido, a BAT é ativada principalmente por exposições ao frio moderado, como a 18 °C, temperatura utilizada no protocolo do estudo para evitar tremores e garantir um gasto energético controlado. A ativação foi monitorada por termografia infravermelha na região supraclavicular, principal local de gordura marrom em adultos.

Relação entre efeito sanfona, gordura corporal e atividade da BAT

As mulheres chamadas de “cicladoras”, que sofreram o efeito sanfona, apresentaram maior percentual de gordura corporal e visceral, além de pior perfil cardiometabólico, incluindo glicemia e perfil lipídico. A análise estatística indicou que a redução da atividade da gordura marrom não é causada diretamente pela oscilação de peso, mas pelo acúmulo progressivo de gordura corporal ao longo do tempo. O efeito sanfona leva a um aumento da adiposidade, pois após a perda de peso o organismo prioriza a recuperação da gordura em detrimento da massa magra, reduzindo o gasto energético basal e alterando hormônios da fome e saciedade.

Implicações clínicas e recomendações para o manejo da obesidade feminina

Os achados ressaltam que o tratamento da obesidade deve ir além da simples redução do peso na balança. Estratégias focadas na melhora da composição corporal, com redução sustentável do percentual de gordura e preservação da massa muscular, são fundamentais para preservar a função da gordura marrom e melhorar o metabolismo. Abordagens multiprofissionais e mudanças comportamentais duradouras são recomendadas para evitar os efeitos negativos do efeito sanfona, especialmente em mulheres jovens, que enfrentam maior pressão estética e maior incidência desse fenômeno.

Potencial terapêutico e limitações da ativação da gordura marrom

Embora a ativação da gordura marrom por meio de exercícios físicos e exposição ao frio possa contribuir para a melhora do metabolismo da glicose e dos lipídios, ajudando a proteger contra diabetes e doenças cardiovasculares, ela não deve ser vista como solução isolada para perda de peso. O estudo reforça que o papel principal da BAT está na regulação metabólica, e não no emagrecimento direto. Portanto, o manejo da obesidade deve ser amplo, considerando fatores hormonais, comportamentais e composição corporal.

A pesquisa da Unicamp amplia a compreensão sobre os efeitos do efeito sanfona na saúde metabólica feminina e ressalta a importância de evitar ciclos repetidos de perdas e ganhos de peso para preservar a função metabólica e a saúde cardiovascular.