Efeito verticalização: Santos lidera em ilhas de calor

Cidade enfrenta desafios climáticos devido à urbanização intensa.

Efeito verticalização: Santos lidera em ilhas de calor
Aglomerado de prédios na praia do Boqueirão, em Santos. Foto: Rafaela Araújo / Folhapress

Santos se destaca como a cidade mais verticalizada do Brasil, enfrentando intensos problemas de ilhas de calor devido à urbanização.

Santos, a cidade mais verticalizada do Brasil, se destaca pelo fenômeno das ilhas de calor, que se agrava devido à intensa urbanização. Atualmente, o município apresenta um coeficiente de 83,3 em uma escala que vai até 100, segundo dados da plataforma digital UrbVerde, desenvolvida por pesquisadores da USP. Esse fenômeno refere-se a áreas onde as temperaturas são significativamente mais altas, resultado da alteração da paisagem natural.

O fenômeno das ilhas de calor

A verticalização de Santos, que possui a maior proporção de moradores vivendo em prédios do país, provoca um bloqueio da brisa marinha, essencial para a regulação da temperatura. Moradores, como a aposentada Heliete Botelho da Silveira, expressam suas preocupações, afirmando que a falta de áreas verdes agrava a sensação de calor na cidade. Para ela, a presença de mais árvores poderia amenizar a situação, embora reconheça que isso é apenas uma solução temporária.

O IBGE indica que 67,1% das residências em Santos são apartamentos, o que evidencia a tendência de verticalização. Entre 2010 e 2022, a cidade viu um crescimento de 23,2% no número de apartamentos, passando de 91.228 para 112.401 unidades. Essa mudança na paisagem urbana está diretamente ligada à dificuldade de circulação de ar e ao aumento das temperaturas.

Medidas da prefeitura

Em resposta a essa situação, a prefeitura de Santos implementou diversas iniciativas. Uma delas é o programa “Santos Sustentável”, que visa plantar 10 mil árvores até 2028, aumentando o total de árvores na área insular para 45 mil. Glaucus Farinello, secretário de Desenvolvimento Urbano, destaca que a cidade não pode crescer sem respeitar a natureza, e a fusão das secretarias de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente busca integrar esforços para mitigar os efeitos das ilhas de calor.

Outra ação é a chamada “acupuntura verde”, que envolve a troca de asfalto por áreas verdes em locais estratégicos. Um exemplo significativo é a retirada de asfalto de um estacionamento para o plantio de 194 mudas de árvores nativas, como pitangueiras, que contribuem para a melhoria da biodiversidade urbana.

Impactos na saúde e qualidade de vida

A verticalização e o fenômeno das ilhas de calor não apenas afetam o ambiente, mas também têm sérias consequências para a saúde dos moradores. O urbanista Marcel Fantin ressalta que as altas temperaturas podem levar a um aumento de doenças cardíacas e exaustão física. O calor excessivo torna a regulação térmica do corpo mais difícil, aumentando o risco de problemas de saúde, especialmente entre a população vulnerável, como crianças e idosos.

A cidade de Santos, portanto, enfrenta um dilema: como equilibrar o desenvolvimento urbano com a necessidade de um ambiente saudável e sustentável? As iniciativas em andamento são um passo na direção certa, mas a transformação completa da infraestrutura urbana ainda é um desafio a ser superado.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Rafaela Araújo / Folhapress