El Niño amplia riscos para o setor agropecuário global

Fenômeno climático potencializa volatilidade na produção agrícola e impacto em commodities em diferentes regiões do mundo

El Niño amplia riscos para o setor agropecuário global
Fenômeno El Niño afeta o clima global com impactos no agro e commodities Foto:

Eventos de El Niño intensos aumentam a volatilidade da produção agrícola e causam prejuízos no agro mundial.

Histórico dos principais eventos de El Niño e impactos globais

O fenômeno El Niño amplia riscos para o setor agropecuário global, conforme apontado em estudos recentes. Episódios marcantes, como os de 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16, impactaram significativamente o clima, afetando a agricultura, energia e mercados de commodities em várias partes do mundo. Luís Eduardo Paiva Garcia, diretor executivo da Norteagri, destaca que a recorrência e intensidade desses eventos têm modificado a dinâmica climática e econômica global.

O evento mais devastador ocorreu entre 1877 e 1878, com picos de temperatura no Niño 3.4 estimados entre 2,7°C e 3,0°C. Esse período gerou secas severas e fome em países da Ásia e América do Sul, com uma estimativa de 30 a 50 milhões de mortes no mundo, configurando-o como o El Niño mais grave da era moderna.

Na sequência, o ciclo de 1982-83 apresentou pico de cerca de 2,1°C, causando enchentes no Peru e Equador, e secas na Austrália e Indonésia. Foi o primeiro “super El Niño” monitorado por satélites, trazendo grandes perdas ao setor agrícola e pesqueiro.

Em 1997-98, o fenômeno atingiu aproximadamente 2,4°C, provocando eventos climáticos extremos em quase todos os continentes. As Américas enfrentaram fortes enchentes, enquanto a Ásia e Oceania sofreram com graves secas, consolidando este episódio como um referencial de intensidade moderna.

O último evento significativo, em 2015-16, teve pico estimado em 2,6°C, com ondas de calor recordes, secas agrícolas e quebras de safra em diversas regiões. Os impactos influenciaram as temperaturas globais e afetaram diretamente a produção e os preços das commodities agrícolas.

Impactos recorrentes do El Niño sobre a produção agrícola e mercados

O El Niño amplia riscos ao aumentar a volatilidade na produção agrícola global. As alterações climáticas associadas ao fenômeno provocam secas severas em partes da Ásia, Oceania e Brasil, enquanto regiões nas Américas enfrentam chuvas extremas. Essa variabilidade climática dificulta o planejamento agrícola e eleva os riscos de perdas de safra.

Setores como o de energia também sentem os efeitos do El Niño, uma vez que a disponibilidade hídrica para a geração pode ser comprometida, afetando o abastecimento. No mercado de commodities, a incerteza decorrente das condições climáticas contribui para flutuações nos preços, impactando economias dependentes da agroexportação.

Além disso, a frequência crescente desses eventos indica uma maior integração do El Niño na realidade climática global, o que exige políticas públicas e estratégias empresariais voltadas para a adaptação e resiliência.

Desafios para o agronegócio diante da variabilidade climática do El Niño

A presença constante do El Niño na dinâmica climática exige do agronegócio uma maior capacidade de gestão de riscos. Técnicas de monitoramento climático e o uso de tecnologia para previsão são essenciais para mitigar impactos.

A adaptação inclui diversificação de culturas, sistemas de irrigação eficientes e investimentos em infraestrutura para enfrentar secas e enchentes. A compreensão aprofundada dos padrões do El Niño permite um planejamento mais robusto para minimizar prejuízos e garantir a segurança alimentar.

Perspectivas futuras e importância do monitoramento contínuo

O acompanhamento dos fenômenos El Niño por entidades científicas e a incorporação dessas informações por produtores e governos são fundamentais para reduzir os efeitos adversos sobre o agro mundial. A periodicidade dos eventos e suas intensidades variáveis exigem políticas flexíveis e estratégias de mitigação eficientes.

O investimento em pesquisa climática e a divulgação transparente dos dados contribuem para uma resposta coordenada, essencial para conservar a sustentabilidade do setor agropecuário diante das mudanças climáticas globais.

De forma recorrente, esses eventos costumam ampliar a volatilidade na produção de alimentos, energia e commodities em geral, com secas severas em partes da Ásia, Oceania e Brasil, chuvas extremas nas Américas e redução da produtividade agrícola em diversas regiões.

Fonte: www.agrolink.com.br