Jornalista denunciou tentativa de golpe durante crise política que buscava mudar sistema de governo brasileiro
Em 2016, Elio Gaspari denunciou a manobra de semiparlamentarismo como um golpe durante a crise política no Brasil.
Contexto da denúncia de Elio Gaspari
Em março de 2016, no auge da crise política que culminaria no impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o jornalista e historiador Elio Gaspari publicou um artigo contundente denunciando a articulação para implementar o semiparlamentarismo no Brasil. Gaspari classificou a proposta como um golpe, enfatizando que a tentativa de mudar o sistema de governo sem respaldo popular atentava contra a Constituição e os valores democráticos.
Histórico de rejeição ao parlamentarismo no Brasil
Gaspari recordou que o parlamentarismo foi rejeitado pelo povo brasileiro em dois plebiscitos históricos, realizados em 1963 e 1993, com resultados amplamente contrários a esse regime: 77% contra em 1963 e 55% contra em 1993. Essa rejeição consolidou a preferência do país pelo presidencialismo, o que torna a manobra de 2016 ainda mais controversa, pois tentava reviver conceitos já descartados pela população.
A proposta de semiparlamentarismo e sua precariedade
A proposta defendida por figuras como Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer buscava implementar um modelo híbrido – o “semipresidencialismo” ou “semiparlamentarismo” – que, segundo Gaspari, se assemelhava a “uma semibicicleta”: vaga, imprecisa e inconstitucional. Ele criticou a inspiração suposta na experiência francesa, destacando que a reforma constitucional da França fortaleceu o presidente após um referendo legítimo, ao contrário da manobra brasileira que buscava alterar poderes de forma intempestiva e sem consulta popular.
Referências a golpes e crises políticas passadas
Gaspari relembrou episódios dramáticos da história política brasileira, como o golpe parlamentarista de 1961 que visou limitar os poderes de João Goulart no meio de uma crise militar, classificando-o como um golpe. Ele também citou o uso de crises para reformas autoritárias, como o AI-5 em 1968 e o golpe de 1964, para alertar sobre os riscos de se alterar o regime sem respeitar o processo democrático.
A importância da Constituição de 1988 e o respeito ao processo democrático
O texto ressalta a importância da Constituição de 1988 para garantir a independência dos poderes e o funcionamento do regime democrático, citando a atuação do Ministério Público e operações como a Lava Jato como conquistas nesse contexto. Gaspari enfatiza que crises políticas devem ser enfrentadas dentro do respeito à Carta Magna e às instituições, como ocorreu nas posse de Itamar Franco e eleição de Tancredo Neves, exemplos de superação democrática.
Cenário do Congresso e o risco de concentração de poder
Por fim, Gaspari destaca o risco de conceder mais poderes a um Congresso marcado por investigações e processos judiciais, alertando para o perigo de se fortalecer um Legislativo com membros sob suspeita, o que poderia comprometer ainda mais a governabilidade e a confiança pública.
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A análise de Elio Gaspari permanece relevante para compreender as tensões entre o presidencialismo e propostas alternativas de regime no Brasil, sobretudo em contextos de crise política, sinalizando a necessidade de respeito às normas constitucionais e ao voto popular para garantir a estabilidade democrática.





