Embrapa utiliza inteligência artificial para mapear áreas agrícolas abandonadas no Cerrado

Ferramenta desenvolvida com tecnologia de IA identifica terrenos agrícolas sem uso produtivo de 2018 a 2022, revelando impacto na silvicultura e potencial para restauração ambiental

Embrapa utiliza inteligência artificial para mapear áreas agrícolas abandonadas no Cerrado
Fazenda com plantação de eucalipto para produção de celulose Foto: Neco Varella/Estadão Conteúdo – 27.abr.2006

Embrapa desenvolveu ferramenta com IA para mapear áreas agrícolas abandonadas no Cerrado entre 2018 e 2022, destacando impacto na silvicultura e usos futuros.

Confira a programação completa do estudo e levantamento da Embrapa

Período de análise: 2018 a 2022
Bioma estudado: Cerrado
Área de maior abandono: Silvicultura (plantação de eucalipto)
Município com maior área abandonada: Buritizeiro (MG) – 13 mil hectares

  • Taxa de abandono no plantio de eucalipto: Cerca de 84%

Desenvolvimento tecnológico da ferramenta de inteligência artificial para mapear áreas agrícolas abandonadas

A Embrapa criou uma ferramenta pioneira que utiliza inteligência artificial para mapear áreas agrícolas abandonadas no Cerrado, abrangendo o período entre 2018 e 2022. Por meio de sensoriamento remoto feito por satélites da ESA (Agência Espacial Europeia) e análise com redes neurais, foi possível identificar terrenos que, apesar de convertidos para uso agrícola antes de 2018, não apresentaram atividades produtivas durante o monitoramento.

Essa tecnologia, fruto de parceria com a Universidade de Brasília (UnB), alcançou 95% de precisão e é considerada um avanço significativo na análise do uso da terra ao revelar classes de espaços “invisíveis” nas pesquisas anteriores. A ferramenta filtra de forma eficaz as áreas em estado de abandono, possibilitando o planejamento para usos futuros como restauração ambiental e sequestro de carbono.

Impacto da identificação de áreas abandonadas na silvicultura e práticas agrícolas temporárias

O estudo evidenciou que o plantio de eucalipto na silvicultura é o segmento com maior recorrência de abandono, com 84% das terras destinadas a essa cultura sem atividade recente. O município de Buritizeiro, em Minas Gerais, destacou-se com aproximadamente 13 mil hectares abandonados, representando 5% da área inicial observada.

Segundo o pesquisador Edson Bolfe, da Embrapa Agricultura Digital, esse padrão está associado à volatilidade econômica da silvicultura, onde produtores realizam a retirada da primeira produção e não retornam para uma segunda colheita. Fatores como aumento dos custos, baixa produtividade e mudanças no uso da terra influenciam esse comportamento.

Por outro lado, culturas temporárias como soja e milho apresentam taxas menores de abandono devido aos altos investimentos necessários para o plantio, o que incentiva a permanência dos produtores nas terras.

Potencial para restauração ambiental, sequestro de carbono e planejamento territorial

Os dados do mapeamento foram disponibilizados a municípios e estados, abrindo possibilidades para que as áreas abandonadas sejam destinadas a projetos de restauração ambiental e sequestro de carbono, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

Além disso, essas informações podem ser úteis para reintegrar terrenos às produções agrícolas com qualidade e servir como base para a criação de corredores ecológicos, promovendo a conservação da biodiversidade e uso sustentável do solo.

Próximos passos para expandir o uso da ferramenta e aperfeiçoar a análise no bioma Cerrado

O próximo objetivo da pesquisa é ampliar o período de análise para diferenciar áreas verdadeiramente abandonadas daquelas em pousio, que são terras temporariamente descansando entre safras.

Após essa qualificação, a ideia é adaptar e testar a ferramenta em outros biomas brasileiros, considerando que cada região possui características específicas de cobertura vegetal que exigem ajustes técnicos para garantir precisão na identificação das áreas.

Este avanço tecnológico representa uma importante contribuição para o agronegócio e a gestão territorial no Brasil, oferecendo dados estratégicos para políticas públicas e iniciativas privadas voltadas para a sustentabilidade e produtividades responsáveis.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Neco Varella/Estadão Conteúdo