Pandemia e cenário econômico influenciam queda no número de empresas com funcionários no país

Número de empregadores no Brasil está 5,5% abaixo do pico histórico, refletindo impactos da pandemia e avanço do trabalho por conta própria em 2026.
O número de empregadores no Brasil ainda não recuperou o patamar pré-pandemia e permanece 5,5% abaixo do pico histórico registrado em dezembro de 2018, segundo dados recentes da Pnad Contínua do IBGE. Até novembro de 2025, o país contava com cerca de 4,2 milhões de empregadores, uma queda de 241 mil em relação ao máximo da série de 4,4 milhões.
Mudanças no perfil de empregadores e impacto da pandemia
A pandemia de Covid-19, que gerou restrições severas à mobilidade e à atividade econômica a partir de 2020, acelerou um processo de concentração econômica, com muitas pequenas empresas fechando suas portas. Segundo o economista Marcelo Portugal, da UFRGS, empresas maiores conseguiram absorver a demanda, enquanto o número de pequenos empregadores diminuiu significativamente. Além disso, o avanço do trabalho por conta própria e a pejotização — modelo em que profissionais abrem empresas individuais para prestar serviços sem vínculo CLT — cresceu substancialmente, impulsionado pelo setor de serviços e pela tecnologia.
Exemplo dessa transformação é a trajetória de Miriam Catib, empreendedora que fechou seu bufê e espaço de eventos em São Paulo e hoje atua como microempreendedora individual (MEI) sem funcionários, prestando serviços sob demanda.
Crescimento do trabalho por conta própria e emprego formal
Enquanto a quantidade de empregadores diminui, trabalhadores por conta própria e empregados nos setores privado e público atingiram recordes históricos. Dados da Pnad indicam que o setor privado emprega quase 53 milhões de pessoas, o serviço público conta com 13,1 milhões de funcionários e os trabalhadores autônomos chegam a 26 milhões. Essa realidade sugere que muitos ex-empregadores optam por abrir MEIs ou buscar empregos com menor risco e maior segurança, ainda que com rendimentos inferiores, conforme análise do economista Rodolpho Tobler, da FGV Ibre.
Perfil dos empregadores e tendências futuras
Estudos indicam que empregadores tendem a ser mais velhos (média de 46 anos) e com escolaridade mais elevada (12,6 anos) em comparação com trabalhadores autônomos (média de 44 anos e 10,5 anos de estudo). Esse perfil reforça a tendência de migração para formas alternativas de trabalho após o impacto da pandemia.
A experiência de Irma do Nascimento Madureira, que encerrou uma granja de ovos na região do Distrito Federal, ilustra os desafios enfrentados, como escassez de mão de obra e dificuldades de acesso a mercados maiores.
O economista Bruno Imaizumi destaca que o cenário macroeconômico, especialmente a alta dos juros e os custos de manter uma empresa com funcionários, limita a abertura de negócios formais, e que reformas estruturais como a tributária podem beneficiar o empreendedorismo, mas seus efeitos são de longo prazo.
Dados complementares sobre o mercado de trabalho
Além dos empregadores, trabalhadores domésticos e familiares auxiliares também apresentam quedas significativas desde seus picos históricos, influenciados por mudanças sociais e educacionais. A taxa de desemprego no Brasil registra níveis baixos (5,2% até novembro de 2025), mantendo o mercado de trabalho aquecido e dinâmico.
Serviço e Segurança para Empreendedores e Trabalhadores
Condicionantes econômicos: Juros elevados e custos tributários continuam sendo barreiras para abertura e manutenção de empresas com funcionários.
Alternativas de trabalho: Crescimento do MEI e trabalho por conta própria facilitado pela tecnologia e flexibilidade.
Educação e perfil: Maior escolaridade influencia escolhas profissionais e diminuição de trabalhos informais e braçais.
Perspectivas para 2026: Mercado de trabalho aquecido favorece contratações temporárias, especialmente em período pré-eleitoral.
Para empreendedores e trabalhadores, compreender essas transformações é essencial para planejar e adaptar estratégias de negócio e carreira no contexto atual do Brasil.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress





