Donos de empresas de seguros admitem esquema bilionário em descontos indevidos e aguardam validação da delação pelo STF

Maurício Camisotti, empresário acusado de fraudes no INSS, assinou delação premiada e pode obter prisão domiciliar.
Acordo de delação premiada de Maurício Camisotti e seus desdobramentos
O empresário Maurício Camisotti, preso desde 12 de setembro de 2025, firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), visando esclarecer o esquema de fraude no INSS envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O documento foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para análise da validade jurídica. A delação representa avanço crucial nas investigações que vêm desvendando as práticas fraudulentas desde dezembro de 2023.
Perfil empresarial e estrutura das organizações investigadas
Maurício Camisotti é proprietário de múltiplas empresas nas áreas de seguros e planos de saúde, destacando-se como figura central no esquema. Ele controlava três entidades sediadas em São Paulo que faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021. Em 2025, somente essas entidades registraram receita de aproximadamente R$ 580 milhões. Entre as empresas do grupo Total Health, destacam-se a Prevident, Rede Mais e Benfix, que receberam dezenas de milhões em recursos oriundos das associações investigadas.
Funcionários e familiares envolvidos no esquema de fraude no INSS
A investigação revelou que diretores estatutários das entidades suspeitas — Ambec, Unsbras e Cebap — incluíam funcionários e parentes de Camisotti. A presidente da Ambec entre 2023 e 2024, Maria Inês Batista de Almeida, aparece registrada como auxiliar de dentista e faxineira em documentos oficiais, situação que reforça o caráter fraudulento das associações. Familiares diretos, como primos, sobrinhos, irmã e ex-cunhado, figuram como sócios em empresas ligadas ao empresário, que movimentaram cifras milionárias com recursos do INSS.
Impactos e repercussões da operação da Polícia Federal
A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, resultou na prisão de Camisotti e na apreensão de bens de luxo, incluindo obras de arte e armas, além da suspensão do acordo da Ambec com o INSS. O escândalo gerou a demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, demonstrando o alcance das fraudes e a resposta institucional às irregularidades. O caso também mobilizou órgãos como a Controladoria-Geral da União (CGU) e impulsionou uma série de inquéritos e processos judiciais.
Expectativas da defesa e próximos passos legais
A defesa de Maurício Camisotti, liderada pelo advogado Celso Villardi, busca autorização para que o empresário cumpra prisão domiciliar durante a vigência do acordo de delação. Villardi, que também atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro em inquérito anterior, enfatiza que a prisão foi arbitrária e sem justificativa legal adequada. O julgamento e homologação do acordo pelo STF marcarão etapas fundamentais para o desenrolar do processo e possíveis desdobramentos das investigações.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: METRÓPOLES





