Energia nuclear no Japão: reator de Kashiwazaki-Kariwa volta a operar

Com a reativação do reator 6, Japão busca superar resistência local e expandir matriz energética nuclear

Energia nuclear no Japão: reator de Kashiwazaki-Kariwa volta a operar
Usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, no Japão. Foto: The New York Times

O Japão reativa o reator 6 da usina Kashiwazaki-Kariwa, buscando ampliar a energia nuclear para reduzir dependência de combustíveis fósseis e custos elevados.

O Japão reativou o reator 6 da usina nuclear Kashiwazaki-Kariwa, localizada na província de Niigata, numa decisão que marca um importante passo para a energia nuclear no Japão após o desastre de Fukushima em 2011. Esse reator, um dos maiores do mundo, tem capacidade para abastecer mais de um milhão de residências, especialmente na região metropolitana de Tóquio.

Histórico e contexto do reinício

Em 2011, o terremoto de magnitude 8,9 e o tsunami que se seguiram provocaram o derretimento dos núcleos de três reatores da usina Fukushima Daiichi, causando danos ambientais e obrigando mais de 160 mil pessoas a evacuarem a região. Desde então, a energia nuclear no Japão foi amplamente questionada e a maioria dos reatores foi desligada.

O reinício do reator 6 ocorre após um rigoroso processo de avaliação e aprovação pelas autoridades locais e da agência de segurança nuclear japonesa, apesar de um atraso de um dia devido a falha em teste de alarme de segurança. O prefeito da cidade de Kashiwazaki autorizou a operação, mas a oposição local persiste devido a preocupações com a segurança e infraestrutura para evacuação.

Razões para a retomada da energia nuclear

O Japão enfrenta desafios para expandir rapidamente fontes renováveis como energia solar e eólica offshore, o que mantém sua dependência elevada de combustíveis fósseis importados, como gás natural e carvão, que representam cerca de dois terços da matriz energética. Em 2025, os gastos do país com essas importações somaram quase US$ 70 bilhões.

Assim, a energia nuclear é vista como a opção mais prática para reduzir a dependência externa, controlar os custos da eletricidade e cumprir metas de neutralidade de carbono. O governo planeja elevar a participação da energia nuclear para cerca de 20% até 2030, um aumento significativo em relação aos atuais menos de 10%.

Desafios e preocupações locais

Apesar do avanço, a retomada da energia nuclear no Japão ainda enfrenta resistência. Moradores de Niigata, incluindo a agricultora Ayako Oga, expressam receios sobre a segurança da usina e o impacto sobre suas comunidades rurais, que arcam com riscos enquanto a energia beneficia grandes centros urbanos.

Além disso, o histórico da Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da usina, alimenta desconfiança. A Tepco foi criticada por ignorar alertas sobre tsunamis antes do acidente de Fukushima, falhas de transparência e atrasos no descomissionamento das instalações afetadas.

Há também preocupações quanto à infraestrutura para evacuação em casos de emergências, especialmente com as condições climáticas rigorosas da região, como fortes nevascas.

Perspectivas para a energia nuclear no Japão

Pesquisas recentes indicam que a maioria da população japonesa apoia a reativação dos reatores, marcando uma mudança na opinião pública desde 2011. A Tepco comprometeu-se a investir mais de US$ 600 milhões na província de Niigata ao longo da próxima década e a trabalhar para reforçar a segurança e a comunicação com a população.

O reinício do reator 6 da Kashiwazaki-Kariwa simboliza o equilíbrio delicado que o Japão tenta atingir entre segurança, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental com a energia nuclear no centro desse desafio.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: The New York Times