A proposta da Universidade Federal de Goiás (UFG) de criar um curso de Engenharia Farmacêutica, liderada pelo Instituto de Química (IQ), gerou forte oposição de importantes entidades representativas da área farmacêutica. O Conselho Regional de Farmácia de Goiás (CRF-GO), a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) e o Sindicato dos Farmacêuticos de Goiás (Sinfar-GO) emitiram notas públicas expressando seu repúdio à iniciativa. As entidades apontam para potenciais riscos acadêmicos, regulatórios e profissionais decorrentes da implementação da nova graduação.
O CRF-GO classificou a criação do curso como “redundante e desnecessária”, enfatizando que a formação em Farmácia já abrange todas as competências essenciais para atuação na indústria farmacêutica. Isso inclui desde a pesquisa e desenvolvimento até a produção e o controle de qualidade de medicamentos, vacinas e outros produtos relacionados. A entidade também manifestou preocupação com a possível sobreposição de funções e a fragmentação da formação profissional.
Em um ofício formal enviado à reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, o CRF-GO alertou para a “insegurança jurídica e institucional” que a criação do curso pode acarretar. Segundo o conselho, a ausência de regulamentação específica para o exercício profissional do engenheiro farmacêutico no Brasil agrava a situação. O CRF-GO solicitou à universidade uma reavaliação da pertinência técnica, acadêmica e social da proposta.
A Fenafar e o Sinfar-GO, em nota conjunta, argumentaram que a iniciativa representa um “equívoco conceitual”, uma vez que não se origina claramente nem da Farmácia, nem da Engenharia, mas sim da Química. As entidades defendem que a formação em fármacos e medicamentos deve ir além dos aspectos técnicos, valorizando o papel do farmacêutico como profissional de saúde que atua desde a inovação tecnológica até o cuidado humano e animal.
As entidades temem que a falta de reconhecimento legal possa comprometer o futuro dos estudantes, expondo-os a um “limbo regulatório e profissional”. As três entidades reafirmaram seu compromisso com a valorização da formação farmacêutica existente no Brasil e apelaram à UFG para suspender a proposta de Engenharia Farmacêutica. Até o momento, a UFG não se pronunciou sobre as críticas.
Fonte: http://www.metropoles.com