Cuba enfrenta uma crise sanitária sem precedentes com doenças transmitidas por mosquitos.

Cuba enfrenta uma epidemia de dengue, chikungunya e oropouche em meio a um colapso do sistema de saúde.
A epidemia de doenças transmitidas por mosquitos em Cuba, incluindo dengue, chikungunya e oropouche, se intensifica em um contexto de colapso do sistema de saúde. Enquanto a população enfrenta a escassez de alimentos e medicamentos, o número de novos casos cresce a uma taxa alarmante, com relatos de pacientes que apresentam sintomas graves e debilitantes.
O colapso sanitário em Cuba
Cuba, tradicionalmente vista como uma potência médica, hoje enfrenta um colapso em seu sistema de saúde. A escassez de medicamentos e a falta de condições adequadas para o atendimento têm levado muitos cubanos a evitar hospitais, preferindo a automedicação em casa. Essa situação é exacerbada pela percepção de que buscar ajuda médica é um desperdício de tempo, dado o estado precário das instituições de saúde.
A jornalista Yirmara Torres Hernández descreve a cidade de Matanzas como “uma cidade de zumbis”, onde os habitantes, afetados por doenças e sem cuidados adequados, vagam nas ruas com dificuldades de locomoção. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dores articulares e irritações na pele, com muitos enfrentando sequelas que persistem por semanas após a infecção.
Aumento dos casos e o papel da automedicação
As autoridades de saúde cubanas confirmaram um aumento significativo nos casos de chikungunya, com um crescimento de 71% em apenas uma semana. No entanto, a verdadeira extensão da epidemia é desconhecida, já que muitos doentes não procuram atendimento. O desespero e a falta de recursos têm levado a população a buscar alternativas no mercado paralelo para medicamentos, um reflexo da crise econômica que o país enfrenta.
Os relatos de pacientes são alarmantes. Hansel, um engenheiro de 31 anos, descreveu como seus sintomas evoluíram rapidamente, resultando em febre alta e dores constantes. Ele se sentiu como se tivesse se tornado uma pessoa idosa de repente, lutando para realizar atividades básicas. A falta de diagnóstico adequado e a escassez de profissionais de saúde contribuem para essa situação crítica.
Consequências sociais e saúde pública
O colapso do sistema de saúde não afeta apenas a capacidade de tratar pacientes com arboviroses, mas também agrava a disseminação dessas doenças. A combinação de condições de higiene inadequadas, falta de água e acúmulo de lixo propicia um ambiente ideal para a proliferação de mosquitos. Especialistas alertam para o impacto das mudanças climáticas e do desmatamento, que aumentam o risco de surtos de doenças tropicais.
Os relatos de mortes atribuídas ao “vírus” são preocupantes, com autoridades reconhecendo oficialmente pelo menos 47 óbitos. Contudo, ativistas e especialistas acreditam que o número real pode ser muito maior, uma vez que muitos casos não são devidamente registrados.
Diante deste cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) têm implementado medidas para tentar controlar a epidemia, mas os resultados ainda são incertos. A situação em Cuba é um alerta sobre os riscos que enfrentam nações que, apesar de sua reputação, podem se ver vulneráveis diante de crises sanitárias e sociais.
As consequências das arboviroses em Cuba são um reflexo de como a falta de infraestrutura e a automedicação podem agravar uma epidemia já em curso, evidenciando a necessidade urgente de intervenções eficazes e suporte internacional para restaurar a normalidade e proteger a saúde pública.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





