JPMorgan alerta para riscos de retaliações tarifárias e destaca importância do investimento direto americano

A escalada de tarifas entre Brasil e EUA pode prejudicar a relação comercial bilateral, alerta economista do JPMorgan.
Escalada de tarifas é maior risco para comércio Brasil-EUA em 2026
A escalada de tarifas comerciais entre Brasil e Estados Unidos representa hoje o maior risco para a relação comercial bilateral, destacou Cassiana Fernandez, economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, durante o Seminário Econômico Brasil-EUA em São Paulo no dia 9 de fevereiro de 2026. Fernandez ressaltou que, apesar dos esforços em negociações, a imposição de novas tarifas americanas pode provocar retaliações brasileiras, pressionando ainda mais a inflação doméstica em um cenário econômico já delicado.
Impactos das tarifas americanas no comércio bilateral e na economia brasileira
Atualmente, a tarifa média ponderada dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros é de aproximadamente 11%. Caso as recentes propostas de tarifas adicionais de 25% sejam implementadas, esse índice poderia saltar para 19%, afetando diretamente cadeias produtivas específicas. Embora o mercado americano represente um potencial significativo para ampliar exportações brasileiras, o efeito das tarifas ainda é restrito a determinados setores, porém com risco crescente caso haja escalada de retaliações.
Importância do investimento estrangeiro direto dos EUA para o Brasil
Além dos desafios tarifários, a economista apontou a assimetria existente entre as relações comerciais e de investimento. Enquanto as tarifas geram pressão negativa, o investimento estrangeiro direto (IED) dos Estados Unidos no Brasil continua robusto, representando cerca de 19% do total de IED recebido pelo país, o que equivale a aproximadamente 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Este investimento é fundamental para manutenção da capacidade produtiva e geração de empregos qualificados.
Necessidade de agenda bilateral focada em estabilidade e atração de investimentos
Para a economista, o foco da agenda comercial entre Brasil e Estados Unidos deve estar na proteção e expansão do ambiente de investimentos diretos. Isso requer um compromisso com uma agenda regulatória confiável, previsibilidade e estabilidade macroeconômica, que são essenciais para estimular a confiança dos investidores americanos e garantir a continuidade dos aportes financeiros no país.
Desafios e perspectivas futuras para a relação comercial e econômica
O cenário atual exige cautela para evitar uma escalada de tarifas que possa desencadear um ciclo de retaliações prejudiciais para ambos os países. A manutenção do diálogo e a negociação são ferramentas indispensáveis para mitigar riscos e explorar o potencial do mercado americano para o Brasil. A complexidade das relações econômicas bilaterais demanda estratégias coordenadas que conciliem as obrigações comerciais com a atração de investimentos e o fortalecimento da economia nacional.





