Especialistas apontam riscos no uso de receita extra para baratear combustíveis

Análise crítica avalia volatilidade e impactos fiscais da medida do governo para reduzir tributos com receitas extraordinárias do petróleo

Especialistas apontam riscos no uso de receita extra para baratear combustíveis
Plataformas de petróleo em operação no Estreito de Ormuz. Foto: Estreito de Ormuz, Petróleo, Plataformas de Petróleo, Brasil

Especialistas avaliam que o uso da receita extra para baratear combustíveis é medida temporária, que pode gerar incertezas fiscais e regulatórias.

Contexto da receita extra para baratear combustíveis em 2026

Em fevereiro de 2026, o governo federal anunciou a utilização da receita extra proveniente da alta do preço internacional do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis como diesel, gasolina, etanol e biodiesel. Maria Aparecida Lacerda Meloni, presidente da Febrafite, destaca que “a receita adicional é volátil, depende do preço internacional do barril e do câmbio, tornando essa política pouco sólida e temporária”. O efeito imediato busca minimizar o impacto dos altos preços no consumidor, mas a medida levanta dúvidas sobre sua sustentabilidade e previsibilidade.

Implicações fiscais e riscos de incerteza na política tributária

Tributaristas e analistas do setor de óleo e gás ressaltam que a dependência de variáveis externas expõe os cofres públicos a riscos significativos. A Warren Investimentos estima que o custo mensal da desoneração pode chegar a R$ 4 bilhões, enquanto a receita extra pode variar conforme o preço do barril. Adriano Pires, diretor do CBIE, alerta que o uso dessas receitas incertas para reduzir impostos pode ferir a lei de responsabilidade fiscal, configurando um “cheque em branco”. Tatiana Migiyama, professora da Fipecafi, ressalta o impacto relevante na arrecadação, que pode alcançar R$ 31 bilhões, em um cenário fiscal já pressionado.

Impactos na cadeia de combustíveis e na formação de preços

Apesar da redução tributária na origem, Allan Teixeira, diretor da consultoria BIP, enfatiza que o preço final ao consumidor depende de múltiplos fatores, como estoques, margens de distribuição, ICMS estadual e dinâmica competitiva local. Sem fiscalização rigorosa e transparência, parte do benefício pode ser absorvida intermediários, reduzindo o efeito esperado. Além disso, o diesel, principal combustível afetado pela guerra, já possui PIS/Cofins zerados, limitando o espaço para novas desonerações. Bruno Cordeiro, da Stonex, acrescenta que a composição de preços internacionais do diesel dificulta o controle local.

Necessidade de mecanismos estruturais e estratégias de longo prazo

Allan Teixeira propõe que a medida emergencial seja substituída por uma política estrutural, como um fundo ou conta de estabilização com regras claras, que combine amortecimento de choques, disciplina fiscal e investimento em transição energética e infraestrutura. A proposta deve garantir transparência e previsibilidade para produtores, refinadores e distribuidores, minimizando riscos regulatórios. Carlos Pinto, do IBPT, defende alternativas como subsídios diretos ou estabilizadores de preços para garantir repasse ao consumidor e evitar renúncia fiscal sem benefício real.

Análise crítica dos especialistas sobre a eficácia e sustentabilidade da medida

A medida anunciada é vista como paliativa, com eficiência limitada e efeito temporário. Maria Aparecida Meloni alerta que a proposta pode conter a alta de preços, mas dificilmente neutralizará os impactos devido à dependência de fatores externos. Adriano Birle, da GEP Brasil, ressalta que a volatilidade e a incerteza dificultam o repasse rápido ao consumidor final. A falta de uma governança clara e mecanismos objetivos para controlar a aplicação dos recursos levanta preocupações sobre a transparência e a eficiência da medida, sugerindo a necessidade de uma revisão estrutural da política fiscal aplicada aos combustíveis.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Estreito de Ormuz, Petróleo, Plataformas de Petróleo, Brasil