Protestos contra regime teocrático no Irã recebem silêncio preocupante da esquerda antifascista e antiimperialista
A luta por liberdade no Irã enfrenta silêncio da esquerda, que prioriza antiamericanismo e relativismo cultural em detrimento dos protestos populares.
O silêncio da esquerda diante da luta por liberdade no Irã
A luta por liberdade no Irã tem enfrentado um silêncio surpreendente da esquerda global, mesmo com a gravidade dos protestos iniciados em 28 de dezembro contra o regime teocrático dos aiatolás. Este silêncio se revela especialmente incoerente diante do discurso antifascista e antiimperialista que muitos setores dessa ideologia sustentam. Vladimir Putin, o conflito na Ucrânia e o apoio controverso a grupos como o Hamas evidenciam uma seletividade ideológica que mascara a real opressão sofrida pelos iranianos.
Influência do antiamericanismo e relativismo cultural sobre a esquerda
Parte da explicação para esse posicionamento paradoxal está no antiamericanismo herdado da Guerra Fria, aliado ao relativismo cultural pós-moderno. Estas correntes tendem a demonizar os Estados Unidos e seus aliados, rebaixando qualquer narrativa que os coloque como agentes de proteção ou defesa dos direitos humanos. Esse viés ideológico blindou a esquerda para a brutal repressão que tem sido imposta aos manifestantes no Irã, que lutam contra misoginia, autoritarismo e um regime fundamentalista que controla todos os aspectos da vida social.
A dimensão dos protestos e sua relevância sociopolítica
Os protestos que varrem o Irã desde o final do ano passado podem ser comparados às manifestações massivas de 2009, que denunciaram fraude eleitoral e resultaram em repressão severa. Um aspecto crucial desses atos é a participação transversal, envolvendo diversas classes sociais, inclusive comerciantes dos bazares, tradicionalmente base de sustentação do regime. Isso sugere um desgaste profundo e um aumento significativo dos custos políticos e econômicos para o governo, elevando o risco de mudanças substanciais na estrutura de poder.
Repressão e necessidade urgente de apoio internacional
A repressão aos manifestantes no Irã tem sido brutal e indiscriminada, com ações que violam direitos humanos básicos. A ausência de apoio e solidariedade por parte da esquerda internacional não apenas silencia essas violações, mas também compromete a legitimidade das lutas antifascistas e antiimperialistas que essa mesma esquerda diz defender. O momento exige um posicionamento claro e o reconhecimento da luta dos iranianos como uma causa legítima que transcende interesses geopolíticos restritos.
Desafios para a esquerda e o futuro da luta por liberdade no Irã
A esquerda global enfrenta um dilema moral e estratégico diante da luta por liberdade no Irã. Manter o silêncio ou justificar a opressão sob o pretexto do antiamericanismo compromete sua credibilidade e eficácia enquanto força política progressista. O futuro dessa luta dependerá da capacidade dos atores internacionais em reconhecer e apoiar as demandas democráticas no Irã, superando visões reducionistas e alinhamentos ideológicos que negam a pluralidade e complexidade dos conflitos contemporâneos.





