Nova pesquisa sugere técnica inovadora para transporte dos moai, desafiando teorias anteriores

Estudo revela nova técnica para o transporte das estátuas moai da ilha de Páscoa.
A nova pesquisa sobre as estátuas da ilha de Páscoa, também conhecidas como moai, sugere que elas podem ter sido transportadas de pé, através de um movimento vertical em zigue-zague. O estudo, conduzido por Carl Lipo da Universidade de Binghamton e Terry Hunt da Universidade do Arizona, foi publicado recentemente no Journal of Archaeological Science. Essa hipótese se baseia em experimentos que demonstraram a viabilidade de mover as estátuas de forma semelhante a uma ‘caminhada’.
Entre os séculos 1200 e 1700 d.C., aproximadamente 950 moai foram esculpidas em uma pedreira da cratera do vulcão Rano Raraku e, posteriormente, transportadas por longas distâncias em terreno acidentado. Algumas destas estátuas chegam a medir 10 metros de altura e pesar até 86 toneladas. A maioria está voltada para o interior da ilha, enquanto algumas estão posicionadas para observar o pôr do sol, possível indicação de um uso ritualístico ou astronômico.
A técnica de transporte inovadora
O método de transporte sugerido pelos pesquisadores se baseia na ideia de que os moai poderiam ser movidos por uma equipe que os faria balançar, transferindo seu peso lateralmente a cada puxão. Em um experimento realizado há 14 anos, uma réplica de 4,35 toneladas foi movida com sucesso por uma equipe de 18 pessoas, demonstrando que essa técnica poderia ser aplicada em larga escala. A pesquisa de Lipo e Hunt reforça ideias anteriormente apresentadas em seu livro de 2011, The Statues That Walked.
A tradicional hipótese de que os moai eram transportados deitados tem sido amplamente debatida. Os críticos da nova teoria apontam que o método poderia danificar as estruturas e que o terreno irregular poderia dificultar o transporte. No entanto, a nova pesquisa traz uma abordagem inusitada ao utilizar modelos 3D que ajudam a entender o centro de massa e a estabilidade necessária para o movimento.
Críticas e controvérsias
Embora a pesquisa tenha atraído atenção, especialistas como Nicolas Cauwe, curador de coleções pré-históricas, contestam a interpretação dos dados. Cauwe afirma que muitos dos moai encontrados ao longo dos caminhos estão intactos, sugerindo que as fraturas observadas podem ter ocorrido enquanto as estátuas estavam deitadas, e não durante o transporte. Além disso, a erosão dos caminhos sugere que as estátuas podem ter permanecido em pé durante longos períodos, contradizendo a nova hipótese.
Implicações culturais e sociais
A narrativa sobre a ilha de Páscoa foi moldada por teorias que falam de um colapso ecológico, especialmente a partir do best-seller de Jared Diamond, Collapse. No entanto, estudos mais recentes, incluindo os de Lipo e Hunt, argumentam que a sociedade Rapa Nui era funcional e próspera no momento da chegada dos europeus. Eles contestam a ideia de que a construção de estátuas gigantes levou ao desmatamento e à fome.
Conclusão
A discussão sobre como as estátuas da ilha de Páscoa foram transportadas continua a ser um tema de intenso debate acadêmico. A nova teoria de Lipo e Hunt, embora inovadora, enfrenta resistência de especialistas que defendem métodos alternativos e questionam a validade das novas descobertas. O que permanece claro é que a rica história cultural de Rapa Nui ainda guarda muitos mistérios a serem explorados.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: The New York Times





