Estiagem e calor provocam leve queda na safra de cana de 2025/26

Redução de 0,5% na produção não impede recorde histórico na fabricação de etanol no país

Estiagem e calor provocam leve queda na safra de cana de 2025/26
Plantação de cana-de-açúcar afetada pela estiagem e calor intensos. Foto: Marcelo Texeira

A safra de cana 2025/26 caiu 0,5% devido à estiagem e calor, mas o país bate recorde na produção de etanol.

A queda na safra de cana é um tema central para o agronegócio brasileiro, especialmente para o ciclo 2025/26, que foi oficialmente encerrado em 31 de março. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra totalizou 673,2 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 0,5% em comparação com o ciclo anterior. Essa redução, ainda que pequena, evidencia os efeitos adversos da estiagem e do calor intenso enfrentados nas principais regiões produtoras.

Impacto da estiagem e calor intenso na safra de cana 2025/26

A Região Centro-Sul, responsável pela maior parte da produção brasileira, sofreu com a irregularidade das chuvas e excessos térmicos ao longo do desenvolvimento das lavouras após a colheita de 2024. Além disso, focos de incêndio atingiram parte dos canaviais, agravando a situação. Esses fatores combinados ocasionaram uma queda de 2,6% na produtividade média, que ficou em 75.184 kg por hectare. O aumento da área colhida em 2,1%, atingindo 8,95 milhões de hectares, não foi suficiente para compensar totalmente a perda na produção.

Produção recorde de etanol mesmo com menor volume de cana

Apesar da leve redução na safra, o Brasil alcançou a maior produção histórica de etanol, totalizando 37,5 bilhões de litros na soma do etanol derivado da cana e do milho. Entretanto, o etanol exclusivamente proveniente da cana apresentou queda de 6,9%. Esse cenário demonstra a resiliência do setor e a adaptação das usinas para maximizar a produção do biocombustível, aproveitando diferentes fontes.

Mercado favorece aumento da produção de açúcar na temporada

A diminuição do volume de cana direcionou uma maior parcela da matéria-prima para a fabricação de açúcar, cujo mercado esteve mais favorável durante grande parte do ciclo. A produção de açúcar atingiu 44,2 milhões de toneladas, representando um aumento de 0,1% em relação à temporada anterior. Essa é a segunda maior produção na série histórica da Conab, atrás apenas do ciclo 2022/23.

Desafios climáticos e perspectivas para o setor sucroalcooleiro

Os desafios impostos pelas condições climáticas extremas reforçam a necessidade de estratégias para aumentar a resiliência das plantações e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Investimentos em tecnologia, manejo e prevenção contra incêndios são essenciais para reduzir os impactos futuros. Apesar das adversidades, o setor sucroalcooleiro mantém sua posição estratégica na economia nacional, contribuindo significativamente para a matriz energética e para o mercado internacional.

Produtividade, área cultivada e balanço entre açúcar e etanol

A produtividade média das lavouras, apesar de ter recuado 2,6%, ainda se mantém em níveis elevados historicamente. O aumento da área colhida em 2,1% aponta para esforços na expansão e manutenção da produção. O balanço entre a produção de açúcar e etanol reflete a adaptação do setor às condições mercadológicas e climáticas, com maior destinação de cana para açúcar devido ao contexto favorável ao adoçante até o terceiro trimestre do ciclo.

A análise da safra de cana-de-açúcar 2025/26 evidencia a complexidade e os desafios enfrentados pelo agronegócio diante das mudanças climáticas. A leve queda na produção, apesar de ter impacto, não impediu a obtenção de recordes históricos importantes, como a maior produção de etanol, demonstrando a capacidade de adaptação e a importância estratégica do setor para o país.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Marcelo Texeira