Estudantes aprendem alfabeto do rio com mestres ribeirinhos

Oficina transforma aprendizado artístico em mural na escola.

Na Escola Municipal Jarbas Passarinho, estudantes aprendem o alfabeto ribeirinho com mestres da tradição local.

Uma nova forma de aprender

Na Escola Municipal Jarbas Passarinho, situada no bairro do Marco em Belém, a educação ganha uma nova dimensão através da arte ribeirinha. Estudantes do ensino fundamental participam de uma oficina que os ensina a criar um mural utilizando o alfabeto do rio, uma tradição que vai além das salas de aula convencionais.

O que é o alfabeto do rio?

O alfabeto do rio, ou Letra Decorativa Amazônica, é uma forma artística que caracteriza as embarcações ribeirinhas da Amazônia. Essa prática, que começou a se consolidar na década de 1930, se tornou um símbolo da identidade visual das embarcações da região. O ofício dos abridores de letras, que pintam manualmente as letras coloridas nas embarcações, é uma tradição que completa 100 anos em 2025.

O projeto na escola

O projeto, realizado pelo Instituto Letras que Flutuam, oferece aos alunos a oportunidade de aprender sobre essa rica tradição cultural. Durante a oficina, os estudantes não apenas aprendem a técnica de pintura, mas também a importância da caligrafia ribeirinha como um elemento de identidade e memória. Os alunos medem o espaço, discutem em grupo as propostas de layout e, no final, transferem suas ideias para o mural, sob a orientação de mestres como Odir Lima Abreu.

Impactos e valorização

Esse projeto não é apenas uma atividade artística, mas também um gesto de valorização da cultura ribeirinha. Ao levar essa tradição para dentro da escola, busca-se conectar os jovens à sua herança cultural, mostrando que a Amazônia é um espaço de riqueza visual e histórica. Fernanda Martins, presidente do Instituto, destaca que a letra ribeirinha é tão importante quanto outros aspectos da cultura amazônica, como a música e a dança.

Ao final do projeto, o mural não será apenas uma obra de arte, mas um símbolo da continuidade de uma tradição que deve ser preservada e celebrada. Assim, a oficina transforma o aprendizado em uma paisagem urbana, reafirmando a presença da cultura ribeirinha na cidade de Belém.