Estudo aponta que cortes em benefícios sociais causarão retração em cidades do interior

Pesquisa da USP mostra que aposentadorias e Bolsa Família representam até 40% da renda em municípios do interior do Ceará.

Estudo aponta que cortes em benefícios sociais causarão retração em cidades do interior
Pesquisa alerta para impactos de cortes em transferências públicas no interior. Foto: Agência Brasil

Levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP aponta que estagnação de benefícios prejudicará economia de municípios.

Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), aponta que a estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários causarão retração severa à atividade econômica em municípios do interior do Brasil. O estudo foi lançado nesta semana.

As aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm peso significativo na economia dessas cidades e chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres, de acordo com a pesquisa.

“Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa,” destaca a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif.

Dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas. Nessas cidades, o peso das transferências públicas chega a ser o dobro em relação aos grandes centros urbanos, segundo o levantamento. No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários respondem por 22% da renda agregada da capital e região metropolitana. Já nas cidades do interior, esse número é de 40%.

O Made/USP projetou os efeitos econômicos da evolução da renda dos benefícios sociais e previdenciários nas cidades do interior para os próximos três anos. O estudo tomou como base os anos de 2022 a 2025, em que houve um crescimento real para BPC e aposentadorias. A pesquisa comparou esse cenário ao contexto de reajustes utilizados entre 2019 e 2022, sem ganhos reais do salário mínimo e congelamento total.

Sem os reajustes, a renda agregada do interior do país sofreria uma retração severa, ficando entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com a valorização real dos benefícios sociais e previdenciários, mostra o levantamento.