Estudo questiona possibilidade de vida em Europa, lua de Júpiter

Pesquisadores apontam limitações geológicas que podem impedir a habitabilidade do oceano subterrâneo de Europa

Estudo questiona possibilidade de vida em Europa, lua de Júpiter
A superfície da lua gelada Europa, de Júpiter, se destaca nesta imagem. Foto: m colorida, criada a partir de fotos tiradas pela sonda Galileo da Nasa no final da década de 1990

Novo estudo revela que o fundo do oceano subterrâneo de Europa possui características que dificultam atividade tectônica, reduzindo chances de vida na lua de Júpiter.

A possibilidade de vida em Europa, uma das luas de Júpiter, tem sido motivo de grande interesse científico, especialmente por seu vasto oceano subterrâneo coberto por uma espessa camada de gelo. No entanto, um estudo recente trouxe questionamentos sobre se esse ambiente realmente oferece as condições necessárias para a existência de organismos vivos.

Geologia de Europa e o desafio da habitabilidade

O estudo avaliou detalhadamente o fundo do oceano de Europa para entender seu potencial para atividade tectônica e vulcânica — processos fundamentais na Terra para criar interações entre rochas e água, liberando nutrientes e energia químicas vitais para a vida. Os resultados indicam que a crosta rochosa dessa lua é provavelmente forte demais para permitir essas atividades dinâmicas.

Os pesquisadores levaram em conta fatores como o tamanho de Europa, a composição do seu núcleo e a influência gravitacional exercida por Júpiter. A conclusão sugere que as falhas tectônicas e atividade vulcânica na base do oceano são provavelmente inexistentes, o que torna o ambiente menos propício para a vida.

Elementos essenciais para a vida e o cenário em Europa

Pesquisador Paul Byrne, da Universidade Washington em St. Louis, explica que, na Terra, as atividades tectônicas expõem rochas frescas que, em contato com a água, promovem reações químicas importantes para a vida microbiana. Sem essas reações, a oferta de substâncias como o metano, vital para muitos organismos, seria mínima ou inexistente.

Christian Klimczak, coautor do estudo, reforça que o fundo do oceano de Europa provavelmente não conta com formações tectônicas como vales ou cristas, nem vulcões ou atividade hidrotermal, ambientes esses que na Terra sustentam ecossistemas complexos.

Características físicas de Europa e potencial para vida

Europa possui cerca de 3.100 km de diâmetro, com uma camada de gelo de 15 a 25 km sobre um oceano que pode chegar a 150 km de profundidade, contendo possivelmente o dobro da água dos oceanos terrestres. A presença de água líquida, compostos orgânicos e energia por aquecimento de marés são três critérios fundamentais para a vida, todos parcialmente atendidos nessa lua.

A órbita de Europa gera aquecimento interno devido às forças gravitacionais de Júpiter, que impede o congelamento total do oceano. No entanto, segundo o estudo, essa energia não é suficiente para causar a deformação tectônica do fundo oceânico como ocorre na lua Io, altamente vulcanicamente ativa.

Missão Europa Clipper e perspectivas futuras

A NASA lançou em 2024 a missão Europa Clipper, com expectativa de iniciar sobrevoos próximos a partir de 2031 para estudar em detalhes a composição e dinâmica dessa lua. Apesar das dúvidas levantadas, Europa continua sendo um dos melhores locais para buscar sinais de vida fora da Terra.

Serviço e Segurança

Para entusiastas da exploração espacial, é importante acompanhar as atualizações da missão Europa Clipper e os dados científicos que serão coletados nos próximos anos. A pesquisa continua sendo fundamental para compreendermos não apenas o potencial de habitabilidade em Europa, mas também os processos geológicos únicos que moldam os corpos celestes do Sistema Solar.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: m colorida, criada a partir de fotos tiradas pela sonda Galileo da Nasa no final da década de 1990