Pesquisadores da USP analisam o uso de substâncias ilícitas entre praticantes de esportes e seus efeitos na saúde
Pesquisadores da USP investigam o uso de drogas ilícitas, como cocaína e maconha, entre praticantes de musculação.
Estudo revela uso de drogas como cocaína e maconha para performance na musculação
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou que substâncias associadas ao narcotráfico, incluindo drogas como cocaína e maconha, são usadas para melhorar a performance de praticantes de musculação. A pesquisa levantou preocupações sobre como essas substâncias, tradicionalmente ligadas ao mundo do crime, estão se infiltrando no universo do fitness, onde esteroides anabolizantes e outros fármacos já são amplamente utilizados.
O contexto da pesquisa e suas descobertas
Entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, os pesquisadores realizaram uma análise meticulosa, utilizando a netnografia, que consiste em observar e acompanhar grupos que discutem e realizam a venda de drogas em plataformas como WhatsApp e Telegram. Ao longo do estudo, foram identificadas 46 drogas diferentes sendo mencionadas e discutidas nesses ambientes.
De acordo com o pesquisador Marcel Segalla, da Faculdade de Medicina da USP, a cocaína é frequentemente utilizada para potencializar a perda de peso e aumentar a concentração. Seu uso, segundo ele, tende a ser mais pontual entre os usuários, que buscam efeitos rápidos e intensos.
O papel da maconha na rotina dos praticantes de musculação
A maconha, por outro lado, é empregada principalmente para aliviar dores musculares pós-treino, além de ajudar na melhoria da qualidade do sono e no aumento do apetite, fatores importantes para quem busca ganhar massa muscular. Mais interessante é o fato de que alguns usuários recorrem à maconha para controlar a agressividade, um efeito colateral comum do uso de esteroides anabolizantes.
A normalização do uso de substâncias
A normalização do uso dessas drogas é alimentada por uma cultura que se espalha pelas redes sociais. Influenciadores e praticantes de musculação costumam compartilhar suas rotinas, muitas vezes mencionando o uso de substâncias para alcançar resultados mais rápidos. Especialistas alertam que esse fenômeno pode levar a um aumento significativo no número de usuários e a riscos crescentes à saúde pública.
Perfis dos usuários e suas motivações
Os usuários dessas substâncias não se limitam a um único perfil; homens e mulheres de diversas profissões, como motoristas de aplicativo, guardas municipais e até médicos, fazem parte desse grupo. O nutricionista e influenciador Rodrigo Góes, por exemplo, é uma voz contra o uso de drogas na atividade física, utilizando suas plataformas para alertar sobre os riscos associados.
Consequências e reflexões sobre o fenômeno
Maurício Henriques Damasceno, psicólogo do esporte, enfatiza que a pressão estética e a busca por corpos ideais nas redes sociais amplificam o culto às substâncias. Ele observa que jovens se sentem compelidos a se adequar a esses padrões, o que pode gerar consequências graves para a saúde mental e física.
O ex-usuário Rogério dos Santos Dias Bria compartilha sua experiência com esteroides e a transformação que ocorreu em sua vida após abandonar essas substâncias. Ele destaca que é possível alcançar um corpo saudável sem o uso de anabolizantes, promovendo um legado de saúde para as novas gerações.
Conclusão e a importância da conscientização
O estudo da USP traz à tona questões críticas sobre o consumo de drogas na busca por performance na musculação. A pesquisa evidencia a necessidade urgente de conscientização sobre os riscos associados ao uso de substâncias ilícitas e o impacto que a cultura das redes sociais tem sobre a saúde pública. Assim, é fundamental que a sociedade discuta abertamente esses temas, promovendo alternativas saudáveis e prevenindo comportamentos de risco entre os jovens.





