Pesquisa indica que parentes mais próximos dos felinos domésticos têm origem na Tunísia

Novo estudo aponta que gatos domesticados têm origem no norte da África, especificamente na Tunísia.
Gatos domesticados no norte da África: novas descobertas
A pesquisa recente revela que a domesticação dos gatos (Felis catus) pode ter começado no norte da África. Estudos genômicos realizados por uma equipe liderada por Claudio Ottoni, da Universidade de Roma Tor Vergata, indicam que os parentes mais próximos dos felinos domésticos estão localizados na Tunísia. Esse dado contradiz a crença anterior que atribuía a origem dos gatos domesticados ao Egito, embora essa possibilidade não possa ser completamente descartada.
A importância da análise de DNA
Os pesquisadores analisaram 70 genomas de felinos, abrangendo um período que vai de 11 mil anos até o século 19, e 17 genomas de gatos-selvagens vivos. As amostras de DNA foram coletadas de sítios arqueológicos na Europa e na Anatólia, além de amostras modernas de diversas localidades. Através dessa análise, foi possível identificar que muitos gatos supostamente domesticados na Europa eram, na verdade, gatos-selvagens-europeus (Felis silvestris).
O papel de Roma na disseminação dos gatos
Os dados sugerem que a presença de gatos domésticos na Europa começou a se tornar comum entre os séculos 2 a.C. e 1 a.C., quando Roma se consolidou como uma superpotência. O exército romano ajudou a espalhar esses felinos por onde passava, facilitando sua adaptação em novos ambientes. Essa migração de gatos pode ter sido impulsionada pela demanda de controle de pragas nas lavouras.
Mitos e realidades sobre a domesticação
Embora algumas teorias anteriores indicassem que a domesticação dos gatos era um fenômeno muito mais antigo, como evidenciado por um gato enterrado ao lado de humanos na ilha de Chipre, a nova pesquisa mostra que a hibridização entre gatos selvagens e domésticos pode ter sido mais comum do que se pensava. O estudo revela que o DNA mitocondrial (mtDNA) encontrado em gatos antigos não representa a totalidade da herança genética, complicando a compreensão da domesticação.
A busca por mais evidências
A pesquisa ainda não é conclusiva, pois faltam amostras de DNA de gatos egípcios, considerados fundamentais para entender completamente a domesticação. A arte do Egito Antigo, que retrata gatos em situações domésticas, indica que essa região poderia ter desempenhado um papel significativo. A expectativa é que futuras análises de DNA de gatos mumificados possam esclarecer mais sobre essa história.
Implicações para o futuro dos estudos felinos
Essas novas evidências não apenas reconfiguram nossa compreensão sobre a origem dos gatos domésticos, mas também abrem novas possibilidades para investigações futuras. Com o avanço nas técnicas de análise de DNA, a esperança é que possamos decifrar os mistérios que ainda cercam a domesticação dos gatos e seu papel na sociedade humana ao longo da história.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters





